Governo está a concluir 180 sistemas de água para enfrentar El Niño – O País
Moçambique está a reforçar as fontes de abastecimento de água para reduzir o impacto da seca associada ao fenómeno El Niño. O Presidente da República, Daniel Chapo, revelou que 180 sistemas de abastecimento estão em fase de conclusão, com apoio do Reino Unido, enquanto outros furos e sistemas estão a ser reabilitados. A estratégia inclui ainda o reforço da produção de culturas resistentes à seca e a expansão de hortas familiares nas zonas que poderão ser mais afectadas.
O Governo está a acelerar a abertura e reabilitação de fontes de água numa tentativa de antecipar os efeitos da seca que poderá atingir sobretudo as regiões Sul e Centro do país, no âmbito do fenómeno El Niño. A prioridade é aumentar a disponibilidade de água antes que a redução das chuvas se transforme numa crise mais severa para as comunidades, particularmente nas zonas onde o acesso ao recurso já constitui um desafio.
O Presidente da República, Daniel Chapo, revelou, no final da sua visita de trabalho à província de Inhambane, que 180 sistemas de abastecimento de água estão actualmente em fase de conclusão em dez províncias do país, através de uma parceria com o Reino Unido.
“Em gestão de calamidades, é como em saúde, vale mais prevenir do que remediar”, afirmou Chapo, explicando que a expansão das fontes de água faz parte de uma intervenção mais ampla destinada a preparar o país para os efeitos previstos do El Niño.
Segundo o Chefe do Estado, dos 180 sistemas que estão a ser finalizados, 11 localizam-se na província de Inhambane. Um deles é o Sistema de Abastecimento de Água de Panda, entregue durante a visita presidencial e apresentado como parte da resposta que está a ser montada para aumentar a disponibilidade do recurso.
A intervenção não termina, entretanto, nos novos sistemas. Daniel Chapo anunciou que decorre igualmente a reabilitação de cerca de 54 furos e sistemas de abastecimento de água, numa operação destinada a recuperar infra-estruturas existentes e aumentar a capacidade de resposta das comunidades.
O Governo está particularmente preocupado com Inhambane, Gaza e Maputo, mas a estratégia deverá abranger igualmente províncias e distritos da região Centro que venham a ser afectados pelo fenómeno.
A aposta na água surge num contexto em que a irregularidade das chuvas pode comprometer não apenas o consumo humano, mas também a agricultura familiar, uma das principais fontes de sobrevivência de milhares de famílias rurais. É precisamente por isso que a estratégia anunciada pelo Executivo procura combinar disponibilidade de água com medidas destinadas a proteger a produção de alimentos.
Chapo reconheceu que o Governo, através do Orçamento do Estado, não dispõe sozinho de todos os recursos necessários para responder à dimensão do desafio. O Executivo está, por isso, a mobilizar parceiros de cooperação e países amigos para complementar o financiamento público.
O Reino Unido é um dos parceiros envolvidos. Segundo o Presidente da República, a construção dos 180 sistemas resulta desta cooperação, numa intervenção que deverá aumentar a disponibilidade de água em diferentes pontos do país.
A preocupação do Executivo é antecipar uma situação em que a escassez de precipitação coloque simultaneamente sob pressão o abastecimento às populações, a produção agrícola e os meios de subsistência das famílias. A resposta, por isso, começa antes da eventual intensificação da seca.
Mas garantir água é apenas uma das frentes da estratégia.
Nas comunidades rurais, o Governo pretende também alterar a forma como as famílias produzem diante de períodos prolongados de escassez de chuva. Daniel Chapo revelou que está em curso um trabalho de sensibilização para aumentar a produção de culturas mais resistentes à seca.
Durante um comício no distrito de Funhalouro, o Presidente apontou a castanha de caju como uma das alternativas, mas, na conferência de imprensa que marcou o fim da visita a Inhambane, alargou a lista à mandioca e a outros tubérculos.
A orientação procura reduzir a exposição das famílias a culturas particularmente dependentes da regularidade das chuvas. Num cenário de precipitação abaixo do necessário, a diversificação da produção poderá determinar a capacidade das comunidades de manter alguma disponibilidade de alimentos.
É também nesta estratégia que o Governo pretende enquadrar o programa “Uma Família, Uma Horta no Quintal”, que Daniel Chapo voltou a defender durante a visita.
A ideia é aproveitar a água disponível junto das residências para estimular pequenas hortas familiares, permitindo às famílias produzir hortícolas para consumo próprio e, onde houver excedentes, criar uma fonte adicional de rendimento.
Para o Presidente da República, a iniciativa ganha uma importância adicional diante da ameaça de seca. Além de reduzir parte das despesas das famílias com alimentação, as hortas poderão funcionar como uma pequena reserva produtiva num período em que a agricultura dependente exclusivamente da chuva poderá enfrentar maiores dificuldades.
“Uma família, uma horta no quintal, para que as pessoas possam produzir hortícolas em casa, não só para minimizar o custo de vida, mas também para minimizar o impacto deste fenómeno El Niño que está previsto”, explicou Daniel Chapo.
A estratégia apresentada pelo Executivo assenta, assim, em três frentes: aumentar as fontes de abastecimento de água, recuperar infra-estruturas que deixaram de funcionar plenamente e preparar as famílias para produzirem alimentos em condições de menor disponibilidade de chuva.
A dimensão do desafio, contudo, irá muito além da conclusão das obras. Os novos sistemas terão de continuar operacionais quando a procura por água aumentar, os furos reabilitados precisarão de manutenção e as medidas de adaptação agrícola terão de chegar às comunidades antes que a eventual escassez de chuva comprometa as campanhas de produção.
Para o Governo, antecipar esse cenário é agora a prioridade.
Se a previsão de seca se confirmar, o verdadeiro teste não será apenas quantos sistemas de água foram construídos ou reabilitados, mas se chegaram a tempo e com capacidade suficiente para impedir que a falta de chuva se transforme também em falta de água e de alimentos nas comunidades.