Feminicídio na África do Sul: marcha exige justiça após morte de nove mulheres – O País
Centenas de pessoas participaram, sábado, numa marcha de repúdio à violência e ao assassinato de mulheres, nos arredores de Joanesburgo, na África do Sul. A manifestação acontece depois de o corpo de uma mulher de 38 anos ter sido encontrado há uma semana, elevando para nove o número de mulheres encontradas mortas na mesma região desde meados de julho.
No local onde um dos corpos foi encontrado, velas apagadas e um buquê de flores foram deixados no chão, marcando o ponto exato onde, na semana passada, foi localizada uma das nove vítimas.
Homens também participaram na manifestação, que teve como objetivo repudiar os casos de feminicídio no país.
“Isso é exactamente o que estamos a abordar com os homens. Esses homens são da comunidade, nós os conhecemos. Mas, além disso, às vezes você pode se juntar com alguém que faz a mesma coisa. Então, a mensagem foi muito clara para nós. Dizemos a qualquer homem que pode estar abusando de uma mulher, verbalmente ou fisicamente: precisa receber ajuda o mais rápido possível”, afirmou o manifestante Chris Matebula.
Cansadas da violência, as mulheres pediram justiça e apelaram à rápida intervenção do Presidente Cyril Ramaphosa.
“O presidente tem de fazer algo. Do jeito que está esse sistema da África do Sul, nós estamos cansados”, disse a manifestante Ashley Mabaso.
Já Thandokile Lukie afirmou que “o feminicídio no nosso país é preocupante e assustador também. É assustador para uma jovem mulher como eu”.
Na noite de sexta-feira, na Cidade do Cabo, a mais de 1.400 quilómetros de Joanesburgo, mais de mil estudantes participaram numa vigília no campus da universidade. A mensagem era a mesma: o fim da violência contra as mulheres.
Segundo as autoridades sul-africanas, os casos parecem estar ligados, uma vez que todos ocorreram na mesma área, a leste de Joanesburgo. No entanto, ainda não está confirmado se foram cometidos pelo mesmo assassino.
Segundo as Nações Unidas, a violência contra as mulheres atinge níveis endémicos na África do Sul. Uma em cada três mulheres no país sofre violência física ou sexual ao longo da vida.