Primeira-Ministra defende diversificação do financiamento da economia através das finanças islâmicas – O País

Benvinda Levi considera que as finanças islâmicas podem ampliar as fontes de financiamento e contribuir para a inclusão financeira, o investimento produtivo e o desenvolvimento de Moçambique.

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, defende que Moçambique deve diversificar os instrumentos de financiamento da economia, incluindo através das finanças islâmicas, como forma de ampliar o acesso ao capital e apoiar sectores estratégicos do desenvolvimento nacional.

A governante falava em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do livro “Introdução às Finanças Islâmicas Princípios, Contratos e Modelos de Intermediação”, da autoria dos economistas moçambicanos Janfar Abdulai e Carino Modan.

Segundo Levi, o país precisa de construir um sistema financeiro “mais profundo, diversificado, competitivo e inclusivo”, capaz de mobilizar poupança interna e capital internacional para sectores produtivos.

A Primeira-Ministra apontou como áreas prioritárias a agricultura, industrialização, energia, infra-estruturas, habitação, micro, pequenas e médias empresas, cadeias de valor, inovação tecnológica e novos negócios.

“Precisamos de ampliar as nossas opções, com prudência e responsabilidade”, afirmou Maria Levi, defendendo que o financiamento deve estar associado à produção, produtividade e criação de emprego.

A governante destacou que as necessidades de investimento de Moçambique ultrapassam a capacidade de financiamento assegurada pelos recursos públicos e pelos mecanismos actualmente disponíveis, razão pela qual considera necessário explorar novas alternativas.

 

FINANÇAS ISLÂMICAS

 

Para Maria Levi, as finanças islâmicas não devem ser analisadas apenas na sua dimensão religiosa, mas também como uma indústria financeira internacional com princípios próprios de estruturação, intermediação e gestão de risco.

A Primeira-Ministra considera que o conhecimento desta modalidade de financiamento permitirá ao país avaliar, com rigor, as oportunidades que poderá oferecer à economia nacional.

“Como podemos aproveitar, de forma responsável, as finanças islâmicas em benefício do desenvolvimento nacional?”, questionou, salientando que qualquer novo instrumento financeiro deve ser utilizado de forma prudente e sem comprometer a sustentabilidade financeira do Estado.

Levi defendeu ainda que o financiamento deve estar ligado à economia real, permitindo apoiar agricultores, pequenas empresas, jovens empreendedores e famílias na concretização dos seus projectos.

 

INCLUSÃO FINANCEIRA

A governante relacionou igualmente o desenvolvimento das finanças islâmicas com os esforços de inclusão financeira no país.

Segundo Maria Levi, a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025–2031 estabelece metas para aumentar o acesso da população aos serviços financeiros, incluindo a elevação da proporção de contas bancárias formais de 31 para 60 por cento até 2031, bem como o aumento do acesso ao crédito de 20 para 30 por cento.

A estratégia prevê igualmente o aumento da posse de seguros para 31 por cento e a cobertura universal de contas de moeda electrónica.

Para a Primeira-Ministra, a diversificação dos produtos financeiros poderá permitir alcançar segmentos da população e do tecido empresarial que ainda não utilizam plenamente os mecanismos existentes.

Neste contexto, apontou oportunidades para o financiamento de micro, pequenas e médias empresas, agricultores, cooperativas e jovens empreendedores.

 

CAPITAL E DESENVOLVIMENTO

Maria Levi defendeu igualmente o aprofundamento do mercado de capitais moçambicano, considerando que o país precisa de ampliar as alternativas ao crédito bancário convencional.

As finanças islâmicas, segundo a governante, poderão contribuir para mobilizar recursos destinados ao financiamento de activos e projectos de longo prazo, incluindo iniciativas relacionadas com a adaptação às mudanças climáticas.

A Primeira-Ministra salientou que Moçambique está exposto a fenómenos como ciclones, cheias e secas, defendendo a necessidade de instrumentos financeiros que possam apoiar a protecção de infra-estruturas, habitações, escolas, estradas e actividades produtivas.

A governante considerou ainda que a diversificação financeira poderá reforçar a inserção internacional de Moçambique, através da aproximação a investidores de África, Médio Oriente, Ásia e outros centros internacionais de capital.

Contudo, advertiu que a mobilização desse capital exige projectos bancáveis, estruturas jurídicas claras, transparência, capacidade técnica e instituições credíveis.

LIVRO LANÇA DEBATE SOBRE NOVAS FORMAS DE FINANCIAMENTO

Na ocasião, Maria Levi felicitou os autores da obra pela contribuição para o debate sobre o financiamento do desenvolvimento em Moçambique.

A Primeira-Ministra afirmou que o livro poderá servir de instrumento de consulta para estudantes, decisores, profissionais do sector financeiro e outros interessados no conhecimento das finanças islâmicas.

Levi defendeu que a publicação deve estimular um debate aberto e orientado para a criação de oportunidades económicas para os cidadãos.

A cerimónia de lançamento da obra decorreu em Maputo, reunindo membros do Governo, dirigentes do Banco de Moçambique, representantes de instituições financeiras e seguradoras, académicos, empresários, líderes religiosos e representantes da sociedade civil.

 

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