Residentes de Tsandzatine protestam por novas rotas prometidas há 11 anos – O País
Residentes da Unidade 6 de Tsandzatine, em Patrice Lumumba, saíram hoje às ruas para exigir duas rotas de transporte prometidas há 11 anos. A falta de transporte penaliza mais de 10 mil pessoas, segundo o vereador do Município de Xai-Xai, que assegura respostas faseadas às preocupações da população, com a primeira intervenção prevista para a próxima segunda-feira.
Residentes de Tsandzatine, em Patrice Lumumba, saíram à rua, este 25 de Setembro, Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, para exigir a introdução de rotas de transporte para o interior dos bairros.
“É o dia de início das lutas armadas, mas estamos a iniciar a luta de abertura das ruas. Desde 2015 pedimos que haja acesso de viagem até lá. Temos problema da estrada, temos problema também do ar real para combater, porque a luta ainda não começou, temos que lutar até ao fim”, sublinhou Enrique Nhantumbo, residente de Tsandzatine.
Em vez de celebrar o feriado nacional, os moradores saíram às ruas para intervir em vias degradadas, pressionando pela introdução de duas rotas de transporte, prometidas há 11 anos.
“Lá no Zeulene, lá em Tsandzatine, são quatro quilómetros para lá. Carregar um saco de arroz na cabeça, até chegar no caminho, você atira o arroz, senta em cima do arroz para descansar um bocadinho, para continuar. Porque não temos transporte para lá, os chapeiros dizem que não podem entrar porque o sítio não está bem, as estradas não estão bem. Então, achamos melhor arranjar essa rua aqui que vai até à zona da Mafureira”, explicou Lucasl, representante dos residentes de Patrice Lumumba.
A falta de transporte dificulta o acesso desta população a serviços básicos, incluindo as escolas públicas.
“Piores são as crianças de agora, que são pequenininhas, para [a Escola] 7 de Outubro. É muito longe. Nós percorremos muitas distâncias com peso e também temos o nosso problema de estarmos em casa, temos que carregar, às vezes, baldes de água”, relatou Isabel Alfredo, residente de Zeulene.
E há um problema que preocupa particularmente as mulheres: o acesso às unidades sanitárias.
“Nós, gestantes, acabamos por ter complicações por falta de socorro e, quando precisamos de ser levadas ao hospital, não temos alternativa devido à falta de transporte”, disse Belarmina Eugénio, residente de Zeulene.
Mais de 10 mil pessoas estão penalizadas pela falta de transporte nos bairros de expansão, admite o vereador de Transportes do Município de Xai-Xai, Benaias Cofel.
“A partir de segunda-feira estaremos lá no terreno, juntamente com a vereação dos Transportes e a vereação das Obras. E, onde for necessário fazermos a recarga dos solos para permitir que os transportadores e os semicolectivos transitem com segurança, estaremos lá a fazer esse trabalho. Posteriormente, iremos também articular com os nossos parceiros ao nível da cidade, que é a associação dos transportadores, para poderem colocar lá os seus semicolectivos”, garantiu.
O chefe do Posto Administrativo de Patrice, Pedro Sitoe, confirma que as duas rotas deveriam ter sido abertas até ao ano passado, mas constrangimentos relacionados com a maquinaria condicionaram o processo.
“São rotas que deveriam ter sido abertas até ao ano passado. Nós encontrámos constrangimentos, que é o problema das nossas maquinarias. Uma é a rota que vai até Santos Ativo. Outra rota é a rota de Zeulene”, explicou.
Questionado sobre quando as rotas estarão operacionais, respondeu: “Nós estamos a trabalhar no sentido de, até ao final deste ano, essas rotas possam funcionar todas.”
Mas a falta de transporte não é a única preocupação dos moradores da Unidade 6.
“As crianças estão sempre doentes por causa do consumo de água imprópria e das longas distâncias que temos de percorrer. Estamos a sofrer de verdade. Além disso, há cobras, falta de água e muitas outras dificuldades”, disse Sónia Júlio, adjunta de quarteirão da Unidade 6.
O Município de Xai-Xai assegura respostas faseadas às preocupações da população de Patrice Lumumba, onde vivem mais de 30 mil habitantes.