O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar duramente a política externa do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16).
Lula afirmou que o Governo norte-americano não possui o direito de ameaçar nações com as quais discorda ideologicamente. O Presidente brasileiro destacou que tais posturas “ferem o direito internacional e a própria Carta das Nações Unidas (ONU)”, ressaltando que nenhum país deve violar a integridade territorial alheia.
As declarações ocorrem após Trump ameaçar o Irão com medidas extremas caso o país não aceite os termos de Washington para encerrar os conflitos no Médio Oriente.
Para Lula, “a manutenção desse tipo de retórica agressiva coloca o planeta em uma rota perigosa”. “Se as grandes potências não assumirem a responsabilidade pela paz, uma terceira guerra mundial pode se tornar uma realidade trágica, com um potencial de destruição dez vezes superior ao do segundo conflito global”, alertou.
O estadista brasileiro também condenou o endurecimento do embargo económico a Cuba, que já dura quase sete décadas, e as tentativas de Washington de administrar a política interna da Venezuela. Lula questionou a lógica dos bloqueios energéticos e de alimentos ao povo cubano, comparando a situação com a crise no Haiti, que não sofre sanções semelhantes.
“É necessário oferecer oportunidades para que esses países recuperem sua estabilidade interna sem interferências externas”, defendeu.
Na mesma publicação, Lula defendeu ainda que a relação entre chefes de Estado deve ser pautada pelos interesses nacionais e não por afinidades ideológicas. Para o líder brasileiro, o mundo carece de lideranças comprometidas com um sistema multilateral onde o respeito mútuo prevaleça sobre a força económica e militar.
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