Fátima Mimbire critica dependência militar do Ruanda e aponta falta de vontade política

A activista social Fátima Mimbire defende que a solução para a guerra em Cabo Delgado é uma questão de soberania e responsabilidade interna do Estado moçambicano. Em entrevista exclusiva à MBC TV, Mimbire reagiu à possibilidade de o Ruanda retirar as suas tropas por falta de financiamento internacional, afirmando que Moçambique tem condições para resolver o conflito se houver interesse real da elite política.

Para a activista, é “inaceitável e vergonhoso” que um país com a dimensão de Moçambique continue dependente militarmente do Ruanda, um país geograficamente menor que a própria província de Cabo Delgado. Mimbire questionou o que foi feito pelo Governo moçambicano durante o período de permanência das forças ruandesas para profissionalizar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e reduzir a dependência externa.

A análise de Mimbire vai além da questão militar, inserindo o conflito num contexto de má governação e interesses económicos. Segundo a activista, a situação de guerra acaba por beneficiar certos sectores, uma vez que a falta de fiscalização na região permite uma gestão do território sem o devido controlo social ou mediático.

Mimbire sublinhou ainda que, enquanto a elite dirigente não se sentir genuinamente indignada com o sofrimento das populações em Cabo Delgado, o conflito poderá prolongar-se. A activista lamentou que, fora as vítimas directas e a sociedade civil, parece haver um nível de complacência com a actual situação de instabilidade no norte do país.

As forças do Ruanda estão em Moçambique desde 2021, operando principalmente nos distritos de Palma e Mocímboa da Praia, áreas estratégicas para os projectos de exploração de gás natural. A manutenção desta força tem sido um desafio logístico e financeiro, o que levou as autoridades de Kigali a condicionar a permanência à garantia de fundos externos.

Imagem: DR

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