Esquadrões da morte voltam a agir em plena luz do dia e fazem mais duas vítimas mortais na Matola

A tarde desta segunda-feira voltou a ser marcada por cenas de violência armada extrema na região metropolitana de Maputo. Dois homens foram crivados de balas quando seguiam numa viatura Toyota Ractis de cor preta, com vidros fumados, na zona de Mulombela, em direcção à Primeira Rua do bairro de Khongolote, no município da Matola.

Segundo relatos preliminares, os ocupantes foram surpreendidos por homens armados que interceptaram a viatura e dispararam mais de dez tiros contra as vítimas. A violência do ataque não deu qualquer hipótese de sobrevivência aos ocupantes, transformando o local do crime num cenário de pânico e forte consternação entre os residentes e transeuntes que circulavam naquela hora.

Para além da brutalidade do ataque, um outro elemento começa a despertar a atenção da opinião pública e a levantar sérias suspeitas sobre a actuação de grupos organizados na província de Maputo. Esta já é a terceira execução recente envolvendo ocupantes de viaturas da marca Toyota Ractis.

A repetição do mesmo modelo de veículo em sucessivos baleamentos mortais já não passa despercebida aos olhos de analistas e cidadãos, sobretudo pelo histórico recente na região. Vários ataques semelhantes resultaram na morte de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), levantando receios de que este novo episódio possa seguir a mesma linha de alvos específicos. Embora a identidade das vítimas e a sua ligação às forças de lei e ordem ainda não tenham sido confirmadas neste caso de Mulombela, o modus operandi é idêntico.

As acções caracterizam-se por emboscadas planeadas em vias públicas, com a utilização de armas de fogo com elevado número de disparos, resultando sempre em mortes imediatas e fugas limpas dos executores.

Nas redes sociais e entre os munícipes da Matola, as especulações ganham força e multiplicam-se os receios de que os esquadrões da morte estejam a ditar as regras na região, visando agentes da autoridade em acertos de contas complexos. Cresce, por isso, a pressão sobre o SERNIC e as lideranças policiais para esclarecer se estes casos estão tecnicamente relacionados e se há uma rede estruturada a visar perfis específicos de cidadãos.

Até ao fecho deste artigo, o Comando-Provincial da PRM de Maputo não havia divulgado informações oficiais sobre a identidade e a profissão das duas vítimas, o paradeiro dos autores dos disparos ou as possíveis motivações por detrás de mais uma execução que volta a alimentar o forte sentimento de insegurança na província.

Imagem: DR

Deixe um comentário