Domingos Rosário nega a existência de uma verdadeira academia universitária em Moçambique

O debate sobre o contributo e a relevância da classe científica moçambicana subiu de tom na Conferência Nacional de Integridade em Moçambique, organizada pelo Centro de Integridade Pública (CIP), realizado esta quarta-feira, 17 de Junho no Hotel Southern Sun, em Maputo. O evento serviu de palco para uma troca de impressões acesa entre o deputado José Manteigas e o docente Domingos Rosário, expondo visões distantes sobre o estado actual da investigação no país.

A discussão começou quando José Manteigas questionou publicamente o papel e o impacto dos intelectuais perante as sucessivas crises e transformações que o território enfrenta. O parlamentar sugeriu que a academia nacional tem estado distante da busca por soluções práticas para os problemas estruturais que apoquentam a sociedade.

Em resposta directa, o professor associado Domingos Rosário recusou o rótulo de académico e apresentou uma visão ainda mais crítica sobre a realidade do ensino superior. O docente defendeu que o conceito de academia universitária exige uma produção e uma investigação científica constantes que, na sua óptica, ainda não se verificam de forma robusta a nível local.

Para o cientista político, muitos dos que se auto-intitulam cientistas ou académicos no panorama nacional não preenchem os requisitos fundamentais de produção de conhecimento. A sua intervenção gerou forte repercussão entre os presentes no painel, reabrindo a discussão sobre as condições e o verdadeiro impacto das instituições de ensino superior no desenvolvimento de Moçambique.

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