Governo lança escudo tecnológico por satélite para enfrentar ciclones e cheias em Moçambique

Moçambique deu um passo crucial para blindar a sua rede de comunicações contra os efeitos devastadores das mudanças climáticas. O Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, inaugurou nesta terça-feira, 23 de Junho o Sistema Integrado de Comunicações de Emergência, uma tecnologia concebida para garantir que o país não fique isolado durante a ocorrência de ciclones, cheias ou secas severas.

Liderada pela Autoridade Reguladora das Comunicações de Moçambique (INCM), a nova infra-estrutura vai permitir a coordenação em tempo real entre as equipas de socorro, mesmo nas zonas mais recônditas do país.

“Este sistema representa um compromisso firme do Governo de Moçambique com a protecção da vida humana, a salvaguarda de bens e o fortalecimento da resiliência nacional,” destacou o ministro Américo Muchanga.

O grande diferencial desta solução é a descentralização e a autonomia tecnológica, estando estruturada para resistir a cenários onde a rede móvel convencional falha.

A solução integra tecnologia satelital e uma unidade móvel de emergência, o que permite manter a capacidade de comunicação activa em qualquer ponto do território nacional, contornando a destruição de infra-estruturas terrestres.

Para além disso, segundo avança a nota, os equipamentos foram estrategicamente posicionados em três pontos-chave do país — Maputo, Caia e Nacala —, garantindo uma cobertura eficaz nas regiões Sul, Centro e Norte. O sistema dispõe ainda de mecanismos avançados de monitoria em tempo real, facilitando a ligação directa entre os decisores políticos e as equipas operacionais no terreno, o que reduz drasticamente o tempo de resposta em situações críticas.

Este projecto foi financiado pelo Banco Mundial através do Projecto de Aceleração Digital de Moçambique (PADIM), unindo os esforços do INCM, do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE).

Moçambique está historicamente na rota de fenómenos climáticos extremos, tendo sofrido recentemente com os impactos dos ciclones Idai, Kenneth, Gombe, Freddy e da tempestade tropical Filipo.

A Presidente do INGD, Luísa Meque, sublinhou que a comunicação antecipada salva vidas. Como prova disso, revelou que durante a época chuvosa de 2025/2026 foram enviadas mais de 300 milhões de SMS de alerta aos cidadãos, permitindo que milhões de moçambicanos buscassem abrigo seguro a tempo.

Apesar do avanço tecnológico, o desafio agora foca-se na base. Luísa Meque defendeu a urgência de continuar a investir nas estruturas locais e no reforço das capacidades comunitárias para garantir que ninguém fique para trás.

“O nosso objectivo é garantir que todas as pessoas, independentemente da sua localização, tenham acesso a informação de alerta precoce e possam agir atempadamente,” concluiu a timoneira do INGD.

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