Médio Oriente: Irão diz que sem mísseis de defesa teria acabado “arrasado como Gaza”

O presidente iraniano Massoud Pezeshkian afirmou esta terça-feira que sem mísseis o Irão teria acabado “arrasado como Gaza” durante a guerra desencadeada por Israel e pelos Estados Unidos, reiterando que o programa balístico não era negociável.

“Se os mísseis de que dispomos para a nossa defesa não existissem, Israel e os Estados Unidos teriam arrasado o Irão como Gaza”, declarou Massoud Pezeshkian durante uma visita ao Paquistão, mediador nas negociações entre Teerão e Washington para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

“Nunca iremos negociar com ninguém, em nenhuma circunstância, nunca, as nossas capacidades de defesa”, insistiu o presidente iraniano, citado pelo Jornal Negócios.

O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, cujo país contribuiu para a assinatura do protocolo de acordo entre o Irão e os Estados Unidos, destacou que o texto “não faz absolutamente nenhuma referência a mísseis balísticos”.

“Não pode haver dois pesos e duas medidas, ou seja, que alguns países possam possuir mísseis balísticos, enquanto o Irão não deverá ter. Não se pode aceitar esta duplicidade”, acrescentou Sharif.

Durante a guerra, o Irão lançou centenas de mísseis e milhares de drones sobre Israel, os países do Golfo e as bases americanas no Médio Oriente como represália pelos ataques ao seu território.

Estes mísseis, inicialmente concebidos pelo Irão para compensar a fraqueza da sua frota aérea durante a guerra contra o Iraque (1980-1988), desde então que não pararam de ganhar em alcance e precisão.

Israel, a cerca de 1500 quilómetros do Irão, vê há muito neste arsenal uma ameaça existencial por parte do seu inimigo.

Antes da guerra, os Estados Unidos tinham tentado impor o programa balístico como outro tema das negociações, juntamente com o nuclear e o apoio do Irão a grupos armados hostis a Israel.

O presidente americano Donald Trump pareceu recentemente mais aberto sobre a questão dos mísseis. “Eles [os iranianos] devem ter alguns porque outras pessoas têm. Devem ter alguns”, admitiu Trump na semana passada na cimeira do G7 em França.

 

(Foto DR)

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