Com apoio do Banco Mundial, Governo moçambicano só financiará projectos agrícolas formais

O Governo moçambicano, em parceria com o Banco Mundial, vai injectar recursos no sector agrário através do programa MozAgriBiz, mas a regra é clara: não haverá espaço para a informalidade.

O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, deixou um recado directo aos empresários do agronegócio em Moçambique: para beneficiar dos novos fundos de financiamento, as empresas terão de estar devidamente registadas e a operar dentro da estrita legalidade.

A exigência foi destacada durante a Conferência do Programa de Desenvolvimento das Cadeias de Valor do Agronegócio de Moçambique (MozAgriBiz) do Corredor da Beira, realizada na província de Sofala.

Segundo o governante, o Executivo está a trabalhar lado a lado com o Banco Mundial para garantir que os fundos cheguem a quem realmente cumpre os requisitos fiscais e legais.

“Estes programas que pretendemos implementar com o apoio do Banco Mundial vão exigir que os empresários tenham a contabilidade organizada e que todas as transações ocorram dentro do sistema legal. Quem pretende beneficiar deste apoio deve organizar-se e manter as suas contas em ordem”, alertou categoricamente Roberto Albino.

O encontro em Sofala reuniu figuras de peso, incluindo o Secretário de Estado na província, Manuel Rodrigues, o Governador Lourenço Bulha, e o representante do Banco Mundial, Fily Sissoko, além de diversos quadros técnicos do sector.

O objectivo principal destas movimentações é afinar a máquina para a campanha agrária 2026/2027. O Ministro garantiu que o Governo está empenhado em criar todos os pressupostos necessários antes do lançamento oficial da época agrícola, assegurando um nível superior de organização e impacto no terreno.

“Precisamos de celebrar contratos com os off takers [compradores garantidos] e disponibilizar todos os recursos necessários para que possamos iniciar a campanha agrária 2026/27 com a certeza de que teremos uma época agrícola memorável, porque os recursos não vão faltar”, destacou o Ministro.

Do lado dos parceiros de cooperação, o clima é de optimismo e confiança. Fily Sissoko, representante do Banco Mundial, enalteceu a transparência do Governo na condução deste processo e o espírito de “responsabilidade mútua” entre as partes.

Durante a sua visita exploratória de três dias a Sofala, Sissoko teve a oportunidade de interagir directamente com os produtores locais. Ele frisou que dialogou com os principais actores do agronegócio que estão a moldar o futuro da agricultura familiar e dos pequenos produtores em Moçambique.

Esta visita serviu para mapear de perto os desafios e oportunidades de investimento na região centro. O grande objectivo da parceria entre o Governo e o Banco Mundial é impulsionar uma transformação estrutural do sector agrário nacional, focando no aumento da produção para satisfazer as necessidades de consumo interno e na criação de postos de emprego para jovens e mulheres. Espera-se ainda que o programa gere rendimento sustentável para as famílias rurais e garanta a segurança alimentar e nutricional em todo o país.

Imagem: DR

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