Samaria Tovela defende que o sector registou avanços na expansão das escolas, mas aponta a falta de “patriotismo” e “comprometimento” como os principais entraves à qualidade do ensino em Moçambique.
As recentes declarações da Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, colocaram a qualidade do sistema de ensino moçambicano no centro do debate público. À margem das celebrações dos 51 anos da independência nacional na Praça dos Heróis Moçambicanos, em Maputo, a governante classificou como preocupante o facto de profissionais com grau de licenciatura e formados em institutos especializados não conseguirem dotar os alunos das competências básicas de literacia.
Para a titular da pasta da Educação, o país dispõe hoje de um número expressivo de quadros qualificados, uma realidade substancialmente diferente dos primeiros anos após a independência. Tovela evocou, com louvor, a chamada “Geração 8 de Março” como um exemplo de sacrifício e dedicação, lembrando que muitos docentes lecionavam durante o dia e estudavam à noite para garantir o funcionamento das escolas, mesmo sem qualificações formais avançadas.
“Nós temos muita gente qualificada, então aí chamamos pela questão do patriotismo, porque não faz sentido que os nossos licenciados hoje não consigam pôr uma criança a ler e a escrever. Não faz sentido que os nossos formados hoje, nos institutos de formação de professores, não consigam fazer com que todas as crianças possam ler, com todos os desafios existentes”, afirmou a ministra.
Questionada pela Foco TV sobre as causas profundas desta crise de aprendizagem, a governante escusou-se a detalhar falhas estruturais ou metodológicas do Ministério, preferindo focar-se na atitude e na consciência cívica dos profissionais da educação. No seu entender, a formação técnica recebida nos institutos confere as metodologias necessárias, mas falta à nova vaga de professores a “dose de patriotismo” e o “espírito de revolução” que caracterizavam o passado do país.
Alinhando o seu discurso com as diretrizes do Chefe de Estado sobre o desenvolvimento e a independência económica, Samaria Tovela sublinhou que o progresso do sector depende directamente da consciência individual de cada agente. “Temos que trabalhar mesmo, temos que trabalhar para que possamos ter resultados”, instou, apontando a cobrança interna de cada cidadão como o principal motor de mudança.
Apesar do diagnóstico severo sobre o desempenho dos professores, a ministra defendeu que o sector alcançou vitórias assinaláveis no que respeita à democratização e massificação do acesso ao ensino. A expansão da rede escolar por todo o território nacional foi apontada como um ganho histórico que permitiu encurtar significativamente a distância entre as residências dos alunos e as salas de aula.
Contudo, Tovela reconheceu que o crescimento demográfico acelerado representa um desafio financeiro e logístico hercúleo, impedindo a edificação de infra-estruturas ao ritmo desejado. A prioridade actual do Ministério, segundo concluiu, reside em garantir que a inclusão ande de mãos dadas com a excelência, de modo a que as competências-chave não sejam o privilégio de um “grupo pequeno”, mas sim um direito plenamente exercido por todas as crianças moçambicanas matriculadas no sistema nacional de educação.
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