CNE estuda realização de três eleições no mesmo dia e uso de inteligência artificial nas eleições em Moçambique

Órgão eleitoral aprovou orçamento de 72,6 milhões de meticais para arrancar com os preparativos do novo ciclo político e quer debater o uso de Inteligência Artificial com os partidos.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique deu o pontapé de saída para a preparação das próximas frentes eleitorais no país. O órgão deliberativo aprovou um orçamento fixado em 72,6 milhões de meticais para o ano de 2026, com o objectivo de arrancar com as actividades preliminares do novo ciclo político. Entre as grandes novidades em cima da mesa está a avaliação da viabilidade técnica e logística de concentrar três sufrágios — legislativas, presidenciais e autárquicas — num único dia.

A informação consta do Plano de Actividades e Orçamento para 2026. De acordo com o documento orientador, a CNE vai submeter ainda este ano ao Conselho de Ministros a proposta formal para a marcação da data das VII Eleições Autárquicas, previstas para o ano de 2028, bem como das VIII Eleições Gerais, calendarizadas para 2029. O plano desenha também as linhas mestras de um projecto alargado de reforço da democracia e apoio aos parceiros eleitorais, desenhado para vigorar entre 2027 e 2030.

Para além da unificação das datas de votação, a CNE prevê abrir uma mesa de diálogo permanente com as forças políticas nacionais. O debate vai focar-se na introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e na avaliação do impacto do uso da Inteligência Artificial (IA) nos processos de votação e contagem de votos, um tema que assume contornos de modernização num cenário regional cada vez mais tecnológico.

A proposta de unificação dos escrutínios visa, essencialmente, responder à necessidade de racionalização dos recursos financeiros do Estado, frequentemente pressionados pelos elevados custos de organização de processos eleitorais interpolados. Contudo, a transição para um modelo de “três eleições no mesmo dia” exige consenso político e profundas reformas organizacionais, que começam a ser debatidas já neste ano económico.

Adicionalmente, as auscultações com os partidos políticos vão debruçar-se sobre a definição do período considerado mais adequado para a realização do recenseamento eleitoral, de modo a evitar constrangimentos logísticos provocados pelas épocas chuvosas e garantir a máxima inclusão dos cidadãos eleitores.

Imagem: DR

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