A organização internacional WaterAid alertou que Moçambique poderá perder financiamentos e novos investimentos no sector da água e saneamento caso as infra-estruturas já construídas continuem a ficar inoperacionais devido à falta de manutenção e de capacidade técnica.
O alerta foi lançado durante o Seminário sobre Sustentabilidade, Operação e Manutenção de Infra-Estruturas de Água, Saneamento e Higiene (WASH) em unidades sanitárias primárias, realizado na segunda-feira (10).
Segundo a organização citada pela AIM, a construção de novas infra-estruturas continua a ser uma das principais respostas para reduzir o défice de acesso à água e ao saneamento no País, mas a sustentabilidade dos investimentos permanece um dos maiores desafios.
A WaterAid considera que a existência de bombas de água avariadas, condutas danificadas, sistemas solares fora de serviço ou instalações sanitárias inutilizáveis pode transformar rapidamente uma infra-estrutura recentemente inaugurada num equipamento incapaz de prestar o serviço para o qual foi concebido.
“A sustentabilidade não pode começar apenas quando ocorre a primeira avaria. Deve ser incorporada desde a fase de concepção do projecto, através da selecção de tecnologias adequadas, da definição de responsabilidades, da formação de pessoal técnico, da disponibilidade de peças sobressalentes e da previsão de recursos financeiros para a operação e manutenção”, defendeu a organização.
A instituição advertiu igualmente que a falta de clareza na distribuição de responsabilidades entre os diferentes níveis da administração pública, parceiros de desenvolvimento e organizações não-governamentais pode provocar atrasos, sobreposição de funções e, em casos extremos, o abandono de infra-estruturas que representam investimentos significativos.
O encontro reuniu representantes do Governo, da Administração Nacional de Obras Públicas (ANOP), do Ministério da Saúde, de órgãos provinciais e distritais, dos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-Estruturas, de unidades sanitárias e de parceiros de desenvolvimento.
Durante a reunião, a WaterAid apresentou a sua estratégia para o período 2023-28, que tem entre as prioridades o aumento do acesso à água, ao saneamento e à higiene no sector da saúde, bem como o reforço da resiliência dos serviços face às alterações climáticas.
As discussões destacaram que a ausência ou interrupção dos serviços de água, saneamento e higiene compromete actividades essenciais nas unidades sanitárias, incluindo a lavagem das mãos, a limpeza das instalações, a gestão de resíduos, a assistência nas maternidades e a prevenção e controlo de infecções.
De acordo com dados do UNICEF referentes a 2024, cerca de 41% da população moçambicana dependia de fontes de água não melhoradas ou de águas superficiais. Nas zonas rurais, a situação era mais crítica, com aproximadamente 54% da população a depender destas fontes, enquanto cerca de 3,4 milhões de pessoas utilizavam directamente água proveniente de fontes superficiais.
(Foto DR)