Presidente da República anuncia medidas de apoio aos estudantes moçambicanos na Rússia – O País
O Presidente da República anunciou, em Moscovo, medidas para reforçar o acompanhamento dos estudantes moçambicanos na Rússia, incluindo o envio de um responsável específico para atender às suas necessidades junto da Embaixada de Moçambique naquele país e a criação de mecanismos para facilitar a renovação de documentos e a transferência de recursos financeiros.
Falando hoje num encontro com a comunidade moçambicana residente na Rússia, no quadro da sua Visita de Trabalho ao país, o
Chefe do Estado disse que o Governo considera a diáspora parte do processo de desenvolvimento nacional e reconheceu os sacrifícios dos estudantes e das suas famílias, que asseguram a sua permanência e formação académica no estrangeiro.
Daniel Chapo anunciou que o Governo vai trabalhar para destacar, junto da Embaixada de Moçambique na Rússia, alguém especificamente responsável pelo acompanhamento dos estudantes, à semelhança do que está a ser feito ou previsto noutros países onde a presença estudantil moçambicana tem aumentado. A medida deverá responder ao crescimento da comunidade estudantil, que poderá ultrapassar 500 estudantes com o aumento das bolsas disponibilizadas pela Rússia.
No domínio da documentação, o Presidente moçambicano explicou que o Governo está a adoptar soluções tecnológicas que permitirão a recolha, por telefone, de dados biométricos, impressões digitais e fotografia para a renovação de documentos sem necessidade de deslocação a Moçambique. Segundo explicou, os dados poderão ser processados e certificados em Moçambique, permitindo posteriormente o envio dos documentos para o local onde o cidadão se encontra.
O Chefe do Estado indicou igualmente que Moçambique está a trabalhar com o Governo russo para aumentar o número de bolsas de estudo, tendo referido a possibilidade de alcançar cerca de 150 estudantes anuais.
“O primeiro desafio é realmente relacionado às bolsas. Nós gostaríamos de ter muitos mais moçambicanos a virem estudar na
Rússia”, disse, acrescentando que o Executivo continuará a trabalhar para melhorar as condições dos estudantes.
Durante o encontro, os estudantes apresentaram dificuldades financeiras. A este respeito, o Presidente Chapo reconheceu o impacto das restrições associadas à guerra e às sanções nas transferências de recursos entre a Rússia e outros países. Garantiu que o Governo continuará a procurar mecanismos que permitam flexibilizar as transferências financeiras destinadas aos estudantes moçambicanos.
No que respeita à inserção profissional dos estudantes após a conclusão dos estudos, o Chefe do Estado anunciou que o Governo está a trabalhar na criação de uma base de dados sobre os moçambicanos que estudam no estrangeiro, incluindo os cursos frequentados, com vista a identificar o capital humano disponível para responder às necessidades da economia nacional.
Daniel Chapo explicou que esta iniciativa está associada às reformas económicas em curso, incluindo a nova legislação mineira, a nova Lei de Petróleos, a Lei de Conteúdo Local, a criação da Empresa Nacional de Minas e do Banco de Desenvolvimento de Moçambique.
Segundo explicou, o objectivo é criar uma economia com maior capacidade de transformar internamente os recursos nacionais e gerar oportunidades para mão-de-obra qualificada, em áreas como agricultura, infra-estruturas, transportes, logística, energia, turismo, transformação digital e economia azul.
No encontro, o Chefe do Estado apelou ainda à solidariedade entre os moçambicanos residentes na Rússia, à preservação da identidade nacional e à manutenção dos laços familiares, culturais e sociais com Moçambique, encorajando os estudantes a prosseguirem a sua formação com responsabilidade, dedicação, disciplina e sentido de missão.
Para além das preocupações apresentadas pela comunidade estudantil, o Presidente da República abordou a situação política, económica e social de Moçambique, destacando a estabilidade geral do país, o Diálogo Nacional Inclusivo como instrumento de promoção da paz, da reconciliação e da unidade nacional, bem como as reformas económicas em curso, destinadas a impulsionar a industrialização, valorizar os recursos nacionais e criar condições para o aproveitamento da mão-de-obra qualificada no desenvolvimento do país.