Trump ameaça “aniquilar” o Irão e crítica Tribunal Penal Internacional em discurso na ONU – O País
Presidente norte-americano afirma que terá de escolher entre um acordo com Teerão e a destruição da República Islâmica, num discurso marcado pela retórica de força e dirigido também ao eleitorado dos Estados Unidos.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na terça-feira, que terá de decidir entre alcançar um acordo com o Irão ou “aniquilar” o país, durante um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
A declaração surgiu no contexto da guerra entre Washington e Teerão, que se prolonga há quase sete meses e que Trump justifica com a necessidade de impedir o Irão de desenvolver armas nucleares.
Perante uma sala repleta de líderes mundiais, o Presidente norte-americano apresentou a sua política externa como uma estratégia de confronto bem-sucedida com os adversários dos Estados Unidos e de reforço da influência norte-americana na ordem internacional.
“Enquanto outros falavam de paz, eu construí a paz. Enquanto outros ignoravam as ameaças, eu confrontei-as”, afirmou Trump.
Apesar de se apresentar como um pacificador, o Presidente fez uma ameaça directa ao regime iraniano ao defender que Washington poderá optar por uma solução militar definitiva.
“Tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irão que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior?”, questionou.
“Ou devo aniquilar rapidamente a República Islâmica, sem nunca mais lhes dar a oportunidade de matar e destruir pessoas e países? Devo expulsá-los para o inferno, sem qualquer possibilidade de sobrevivência?”, acrescentou.
Trump voltou a afirmar que o Irão poderá aceitar um acordo depois das eleições intercalares norte-americanas, marcadas para Novembro. O Partido Republicano corre o risco de perder o controlo do Congresso, num contexto de descontentamento provocado, entre outros factores, pelo aumento dos preços dos combustíveis associado à guerra.
O discurso pareceu igualmente dirigido ao eleitorado norte-americano, numa altura em que cresce o cansaço em relação aos conflitos militares prolongados e às suas consequências económicas.
CRÍTICAS AO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL
Durante a intervenção, Trump atacou também o Tribunal Penal Internacional, acusando a instituição de ultrapassar as suas competências e de visar injustamente os Estados Unidos e os seus aliados.
O Presidente norte-americano tem criticado repetidamente o TPI por investigar alegados crimes cometidos por responsáveis norte-americanos e israelitas. Washington não reconhece a jurisdição do tribunal e rejeita qualquer tentativa de responsabilizar os seus cidadãos perante aquela instância.
As declarações de Trump reforçam a posição da Administração norte-americana contra organismos internacionais que, segundo o Presidente, procuram limitar a soberania dos Estados Unidos ou interferir nas decisões militares e diplomáticas de Washington.
RETÓRICA DE FORÇA
O discurso na ONU foi marcado por uma sucessão de afirmações sobre a força militar e política dos Estados Unidos. Trump declarou que a sua Administração está a confrontar os adversários do país e a remodelar a ordem mundial em benefício dos interesses norte-americanos.
A ameaça dirigida ao Irão surge depois de meses de confrontos e de tentativas diplomáticas sem resultados duradouros. Embora Trump continue a admitir a possibilidade de um acordo, as suas declarações indicam que a opção militar permanece sobre a mesa.
A referência às eleições intercalares acrescenta uma dimensão política interna à crise. O Partido Republicano enfrenta dificuldades para manter o controlo do Congresso, enquanto os custos económicos da guerra alimentam o descontentamento entre os eleitores.
A Administração norte-americana sustenta que a pressão militar e económica poderá obrigar Teerão a aceitar um acordo. O Governo iraniano, contudo, tem rejeitado as exigências de Washington e acusado os Estados Unidos de ameaçarem a soberania do país.