Governo lança coligação estratégica para financiar electrificação fora da rede até 2030 – O País

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, anunciou  em Nova Iorque, a intenção do Governo de criar uma coligação estratégica de financiamento destinada à electrificação fora da rede em Moçambique. O projecto, apresentado durante uma Mesa Redonda de Alto Nível, visa mobilizar recursos, reduzir riscos e transformar uma carteira de empreendimentos em investimentos financiáveis, de forma a acelerar o acesso universal à energia até 2030.

O encontro, subordinado ao tema “Financiamento da Próxima Fase: Redução de Riscos no Mercado de Electrificação Fora da Rede em Moçambique”, congregou representantes de instituições financeiras de desenvolvimento, fundos climáticos, parceiros de cooperação, fundações e investidores privados.

“Queria usar este momento para anunciar a intenção do governo de Moçambique de lançamento de uma coligação estratégica de financiamento da electrificação fora da rede”, afirmou o Chefe do Estado. Segundo explicou, a estrutura da iniciativa, liderada a nível nacional, tem como objectivo central articular o Executivo e os seus parceiros em torno da mobilização de capital e da viabilização de projectos concretos.

ROTEIRO NACIONAL E METAS AMBICIOSAS

O primeiro produto desta iniciativa será um roteiro nacional de financiamento, que deverá identificar a carteira de projectos prioritários, as principais lacunas de financiamento, os riscos associados e as responsabilidades de cada interveniente.

Esta coligação surge como resposta à necessidade premente de ampliar o financiamento, num cenário em que o Governo prevê a execução de aproximadamente 2,5 milhões de ligações fora da rede para atingir a meta de acesso universal. Para este efeito, o Presidente moçambicano indicou ser necessária a mobilização de cerca de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos.

Para assegurar a transição da intenção para a acção, Daniel Chapo delineou três compromissos fundamentais aos participantes: a confirmação do interesse de cada instituição em integrar a coligação; a identificação clara dos riscos, instrumentos financeiros ou etapas de mercado onde cada entidade poderá contribuir; e, por fim, o mandato para que as respectivas equipas trabalhem com o Executivo na preparação de propostas concretas de financiamento até Novembro de 2027, em antecipação à COP2032.

RESILIÊNCIA E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

Durante a sua intervenção, o Presidente destacou que a expansão da electrificação combina a rede nacional com soluções descentralizadas  que já contribuem com cerca de 12 por cento do acesso à electricidade, sublinhando que a prioridade deve incidir sobre as comunidades rurais. Desde 2015, a taxa de acesso à energia em Moçambique evoluiu de cerca de 26 por cento para aproximadamente 70 por cento, com um registo de 400 mil novas ligações anuais nos últimos dois anos.

O estadista realçou ainda a importância das soluções descentralizadas para a resiliência climática das comunidades. “Sistemas isolados e construídos com mecanismos de resiliência podem permitir que determinadas comunidades mantenham o fornecimento de energia quando interrupções na rede nacional afectam cidades ou distritos inteiros”, observou.

Para Daniel Chapo, o acesso à energia deve estar intrinsecamente ligado ao desenvolvimento económico e social, fomentando actividades produtivas como a irrigação e a conservação de alimentos. Neste âmbito, defendeu a criação de um mercado “financiável, previsível e capaz de crescer à escala nacional”, que beneficie famílias e empresas, com particular atenção para a capacitação de jovens e mulheres.

Moçambique conta já com o suporte financeiro de 47 milhões de euros do Fundo Verde para o Clima e 20 milhões de euros da União Europeia para mini-redes e usos produtivos, além do apoio do Banco Mundial, através do programa “Mais Energia”, e outras iniciativas apoiadas pela KfW, reforçando o compromisso nacional com o acesso universal à energia até 2030. 

 

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