Acidentes de viação agravam pressão sobre Hospital Central da Beira – O País
O aumento de acidentes de viação envolvendo mototáxis está a agravar a pressão sobre o Hospital Central da Beira, que registou um crescimento significativo do número de vítimas no primeiro semestre de 2026.
Dados apresentados pela unidade sanitária indicam que, nos primeiros seis meses deste ano, foram atendidos 1.627 casos de acidentes de viação, contra 1.273 casos registados no mesmo período de 2025. O número de óbitos também aumentou, passando de 32 para 52.
Os gestores do Hospital Central da Beira manifestam preocupação com a evolução dos casos, que tem provocado um consumo acelerado de material médico-cirúrgico e medicamentos. Segundo a unidade sanitária, os recursos inicialmente previstos para seis meses chegam a ser consumidos em apenas dois ou três meses, criando défices no abastecimento.
A ortopedia é o sector que mais recebe vítimas de acidentes de viação e, actualmente, apresenta uma taxa de internamento de 130 por cento. Para responder à procura, o hospital tem recorrido à colocação de camas adicionais e à transferência de doentes para outras enfermarias com menor taxa de ocupação.
A sobrelotação tem igualmente provocado maior permanência de doentes no banco de socorros, concebido para prestar atendimento nas primeiras 24 horas, até à estabilização dos pacientes e posterior encaminhamento para as enfermarias.
Entre as principais causas apontadas para o aumento dos acidentes estão a velocidade excessiva, a lotação exagerada dos motociclos e o desconhecimento ou incumprimento das regras de trânsito.
Um dos casos que ilustra o impacto dos acidentes envolve um jovem que seguia num mototáxi com a esposa e a filha de um ano. O motociclo embateu contra uma viatura e, dias depois, a criança acabou por perder a vida. Os pais permanecem internados, com fracturas graves, e não conseguiram participar no funeral da filha.
O pai da criança responsabiliza a condução imprudente pelo acidente e defende maior fiscalização e formação dos condutores. Segundo o mesmo, a falta de formação adequada em escolas de condução contribui para que alguns motociclistas desconheçam as regras de condução defensiva.
A Associação dos Mototáxis reconhece igualmente a existência de problemas no sector. Um dos seus responsáveis aponta a circulação de motociclistas sem documentação adequada e a entrega de motorizadas por proprietários a pessoas sem formação ou habilitação para exercer a actividade.
Os próprios mototaxistas identificam a velocidade excessiva como uma das principais causas dos acidentes, associando-a à pressão para realizar mais viagens e aumentar os rendimentos.
Perante o agravamento do fenómeno, decorrem acções coordenadas entre o Conselho Municipal da Beira, autoridades de trânsito, sector da saúde e representantes dos mototaxistas, com o objectivo de reduzir os acidentes.
As medidas passam pelo reforço da formação dos operadores, respeito pelos sinais de trânsito, controlo da velocidade e fiscalização da lotação, numa altura em que o aumento das vítimas está a pressionar não só as famílias, mas também a capacidade de resposta do Hospital Central da Beira