Egipto expulsa diplomata Etíope em meio à crescente tensão sobre barragem do Nilo – O País

O Egipto declarou, na quinta-feira, um diplomata etíope persona non grata e deu-lhe 48 horas para abandonar o país, numa medida de retaliação depois de a Etiópia ter expulsado um funcionário diplomático egípcio.

Segundo a imprensa local, uma fonte egípcia classificou a decisão de Adis Abeba como “lamentável e injustificada”, acusando as autoridades etíopes de atribuírem a actores estrangeiros a responsabilidade pelas suas “sucessivas crises internas”.

A mesma fonte afirmou que a decisão do Cairo foi tomada em conformidade com o princípio da reciprocidade. Acrescentou que o Egipto evita comentar acontecimentos internos de outros países, incluindo a Etiópia, em respeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas.

Adis Abeba não apresentou publicamente as razões que levaram à expulsão do diplomata egípcio.

O incidente constitui mais um episódio da prolongada tensão entre os dois países, sobretudo em torno da Grande Barragem do Renascimento Etíope, um gigantesco projecto hidroeléctrico construído pela Etiópia no Nilo Azul. O Egipto considera a barragem uma ameaça aos seus recursos hídricos, por recear que o projecto afecte o volume de água que chega ao seu território através do rio Nilo.

As relações entre os dois países têm sido igualmente afectadas pelas crescentes preocupações de segurança na região. Esta semana, a Etiópia acusou o Egipto, o Sudão e a Eritreia de apoiarem a Frente de Libertação do Povo Tigray, grupo rebelde que lançou recentemente um ataque de grandes proporções contra forças governamentais. O Egipto não comentou publicamente as acusações, enquanto o Sudão negou qualquer envolvimento.

Na quinta-feira, Etiópia e Eritreia anunciaram o rompimento das relações diplomáticas, trocando acusações sobre o apoio a conflitos internos, numa altura em que os combates continuam na região de Tigray. O Cairo tem, entretanto, reforçado as relações com Asmara nos últimos meses, num contexto de crescente tensão política e de segurança no Corno de África.

 

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