Moçambique destaca papel dos comités locais na redução do impacto dos desastres naturais – O País
País conta com 1.500 comités locais de gestão do risco de desastres, considerados fundamentais para o alerta e a retirada das comunidades das zonas de risco antes da ocorrência de fenómenos extremos.
Moçambique conta com mais de 1.500 comités locais de gestão do risco de desastres, cujo trabalho tem contribuído para reduzir a perda de vidas humanas durante cheias, inundações e ciclones. A informação foi avançada esta terça-feira, em Maputo, durante a abertura de uma Conferência Internacional sobre a Redução do Risco de Desastres em África, que decorre no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Redução do Risco de Desastres, assinalado a 13 de Outubro.
Na ocasião, o Presidente da República destacou o papel das estruturas comunitárias na prevenção e resposta às calamidades naturais, considerando-as a primeira linha de defesa das populações em situação de risco.
Segundo o Chefe do Estado, os comités actuam directamente nas comunidades, sobretudo nas zonas ciclicamente afectadas por fenómenos extremos, através da divulgação de alertas em línguas locais, do uso de megafones e da mobilização das rádios comunitárias, de modo a permitir a retirada antecipada das populações das áreas vulneráveis.
O estadista explicou que a organização e a mobilização destas estruturas, desde o nível central até às comunidades, constituem um dos principais factores que permitem ao país minimizar os impactos das calamidades naturais.
Como exemplo, apontou as cheias de 2000, que provocaram mais de 700 mortos, e comparou-as com as cheias registadas em 2026, que, apesar de terem apresentado uma magnitude superior, resultaram em menos de 200 vítimas mortais, segundo os dados apresentados no seu discurso.
Apesar dos progressos alcançados, o Presidente da República afirmou que o objectivo continua a ser evitar a perda de vidas humanas, defendendo o reforço da capacidade de prevenção, preparação e resposta a situações de emergência.
Durante a cerimónia, o Chefe do Estado convidou os representantes dos comités locais presentes no evento a juntarem-se à tribuna, para destacar publicamente o seu contributo no salvamento de vidas humanas. Na ocasião, considerou-os os verdadeiros heróis e campeões de Moçambique na redução do risco de desastres.
ÁFRICA REGISTA MAIS DE 74 MIL MORTES POR DESASTRES
Na mesma ocasião, o Presidente da República chamou a atenção para a crescente frequência e severidade dos desastres naturais no continente africano, que continuam a comprometer os esforços de desenvolvimento dos países.
De acordo com o quarto relatório regional de África sobre a implementação do Programa de Acção do Quadro de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, lançado durante a conferência, as cheias, os ciclones tropicais e as secas representaram cerca de 90% dos danos causados por desastres em África, no biénio 2023-2024.
O documento indica que o número de ocorrências aumentou de 612 para 738, provocando mais de 74 mil mortes e afectando cerca de 64 milhões de pessoas. As perdas económicas ultrapassaram os oito mil milhões de dólares norte-americanos.
O Presidente da República recordou que Moçambique, devido à sua localização geográfica, figura entre os dez países do mundo mais afectados por desastres naturais, com registos recorrentes de ciclones, cheias, inundações, secas e tempestades.
Entre os fenómenos que atingiram o país e outros Estados da região, mencionou os ciclones Idai, Kenneth, Freddy e Chido, cujos efeitos também se fizeram sentir em países como Madagáscar, Maláui, Zimbabué, Zâmbia e África do Sul.
O governante referiu-se igualmente às cheias registadas entre Janeiro e Março de 2026, que provocaram perdas humanas e materiais, sobretudo nas regiões Sul e Centro de Moçambique.
FALTA DE FINANCIAMENTO ATRASA RECONSTRUÇÃO
O Chefe do Estado alertou ainda que a escassez de recursos financeiros e os atrasos na disponibilização dos apoios prometidos pelos parceiros internacionais dificultam a recuperação das zonas afectadas e atrasam os planos de desenvolvimento dos países africanos.
Em Moçambique, explicou, a ocorrência sucessiva de calamidades obriga à reconstrução de estradas, pontes, escolas, hospitais, sistemas de abastecimento de água, infra-estruturas de energia eléctrica e torres de comunicação.
Perante este cenário, defendeu o reforço da cooperação entre os governos, os parceiros de desenvolvimento e os restantes intervenientes na gestão do risco de desastres, de modo a garantir recursos para a prevenção, a resposta e a recuperação.
O Presidente da República destacou igualmente a necessidade de colocar as comunidades no centro das estratégias de resiliência, através do reforço das suas capacidades, da melhoria dos sistemas de aviso prévio e da implementação de planos de prontidão e mecanismos de acção antecipada.
A conferência, organizada conjuntamente pelo Governo moçambicano e pela União Africana, reúne durante três dias delegados nacionais e estrangeiros para debater estratégias de redução do risco de desastres no continente.
Moçambique foi também destacado pelo seu papel na promoção da gestão e redução do risco de desastres em África, tendo sido eleito campeão da União Africana nesta área. Nesta qualidade, cabe ao país contribuir para a mobilização de recursos e para o reforço da capacidade dos Estados-membros na prevenção e resposta às calamidades.
A iniciativa decorre sob o lema “A Resiliência Começa em Casa”, no âmbito do Dia Internacional da Redução do Risco de Desastres, assinalado a 13 de Outubro.