Nyeleti Mondlane destaca coragem de Deolinda Guezimane contra discriminação e desigualdade – O País

A ministra dos Combatentes, Nyeleti Brooke Mondlane, destacou a coragem de Deolinda Guezimane na luta contra a discriminação racial e as barreiras sociais impostas às mulheres, recordando episódios da sua juventude que contribuíram para despertar a consciência sobre a necessidade de lutar pela liberdade e igualdade.

Falando durante as cerimónias fúnebres da veterana da luta de libertação nacional, a governante recordou que, em 1960, quando frequentava uma escola de corte, costura e bordados, em Lourenço Marques, Deolinda foi confrontada com uma atitude discriminatória por parte de um visitante que questionou a professora sobre a razão de ensinar uma mulher negra a executar um trabalho considerado delicado.

Segundo Nyeleti Mondlane, o episódio marcou profundamente a antiga combatente, que recordava o sucedido com dor, por ter sido colocada em causa a sua capacidade em razão da cor da pele.

A discriminação racial não era, entretanto, o único obstáculo que enfrentava. De acordo com a ministra, a tradição também limitava as oportunidades das mulheres, esperando-se que as jovens se casassem cedo, em vez de prosseguirem os estudos.

Perante esta realidade, Deolinda Guezimane compreendeu que a mulher moçambicana enfrentava uma dupla opressão: a do colonialismo e a dos costumes que restringiam a sua liberdade. Foi esta consciência que, segundo a governante, contribuiu para a sua decisão de participar na luta de libertação nacional.

A 7 de Março de 1965, um dia depois de completar 22 anos, Deolinda deixou a família e juntou-se à FRELIMO, iniciando uma caminhada que a levaria à Tanzânia e, posteriormente, à formação político-militar em Nachingwea.

Para Nyeleti Mondlane, a história de Deolinda Guezimane demonstra que a emancipação da mulher não foi uma concessão, mas resultado de uma luta protagonizada por mulheres que desafiaram as limitações do seu tempo.

A ministra considerou que as oportunidades hoje conquistadas pelas mulheres moçambicanas na escola, no Parlamento e no Governo também resultam do esforço de combatentes que abriram caminho para as gerações seguintes.

“Há vidas que se contam pelos caminhos que abriram para os outros”, afirmou Nyeleti Mondlane, ao recordar o legado da antiga combatente.

 

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