Governo cria comissão para travar escassez de combustíveis e facilitar acesso a divisas

O Executivo moçambicano quer perceber os contornos da falta de combustível que se regista nalgumas bombas, numa altura em que as reservas nacionais estão garantidas e as importações decorrem sem sobressaltos.

Uma comissão técnica multissetorial, composta pela Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), a Direção Nacional de Hidrocarbonetos e a Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO), foi mandatada para investigar as causas da alegada escassez de combustíveis no mercado nacional. A medida surge após relatos de filas e postos de abastecimento encerrados em várias cidades do país.

Segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, durante a 11ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, Moçambique dispõe de stock suficiente para satisfazer a procura imediata. O problema, segundo avançou o jornal Notícias, poderá estar ligado a constrangimentos na cadeia de distribuição e dificuldades das gasolineiras em aceder a divisas (dólares) para honrar compromissos internacionais.

A comissão deverá apresentar, em curto prazo, soluções para normalizar o fluxo de entrega dos portos até aos revendedores finais. Um dos pontos críticos sob análise é a disponibilidade de moeda estrangeira, factor essencial para que os operadores privados mantenham a regularidade das suas operações.

O porta-voz sublinhou que não basta ter combustível nos terminais portuários se o cidadão fica horas nos postos à procura deste recurso, afirmando a urgência de desbloquear o acesso às divisas para que os fornecedores façam a entrega aos revendedores.

Como forma de mitigar a dependência dos combustíveis líquidos, cujo preço tende a subir no mercado internacional, o Governo está a acelerar a transição para o Gás Natural Comprimido (GNC). O plano inclui a instalação de infraestruturas de abastecimento e o incentivo à conversão de viaturas com motores a gasolina para gás, aproveitando os recursos que o país já produz.

O Governo pretende continuar a criar condições para que mais empresários abracem estes projetos, garantindo uma maior soberania energética para os moçambicanos diante das flutuações globais do preço do petróleo.

Imagem: DR

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