O principal partido da oposição em Moçambique, a RENAMO, veio a público esta segunda-feira propor uma mudança estratégica na forma como o Governo tenta conter a crise no sector dos transportes. Em conferência de imprensa, o partido sugeriu que os subsídios estatais sejam canalizados directamente aos fornecedores de combustíveis, em vez de serem entregues aos transportadores semi-coletivos, os conhecidos “chapas”.
A proposta surge num momento de grande tensão, com o país a enfrentar a subida de preços e a escassez de produtos, o que resultou em greves e na paralisação da circulação em diversas cidades. Marcial Macome, porta-voz da formação política, defendeu que o actual modelo de apoio aos transportadores é insustentável e não responde à realidade das receitas dos operadores de transporte.
De acordo com a visão do partido, ao subsidiar os postos de abastecimento, o Governo garantiria que o combustível chegasse à bomba com um preço bonificado para quem trabalha no sector. Esta medida teria como objectivo imediato aliviar o sofrimento da população, que tem sido obrigada a percorrer longas distâncias a pé devido à falta de transporte público e ao encerramento de vários postos de venda.
O partido apelou ainda ao Executivo para que encare as recentes pressões de organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Central, não como punições, mas como uma oportunidade soberana. Para a RENAMO, a crise actual deve servir de lição para que Moçambique desenhe políticas que reduzam a dependência externa e garantam maior estabilidade social e económica nas paragens e bombas de combustível do país.
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