Assassinato do coordenador da ANAMOLA choca AR e gera troca de acusações entre bancadas

O assassinato de Anselmo Vicente, coordenador político da ANAMOLA na província de Manica, ecoou com força nas galerias da Assembleia da República. O crime, ocorrido na cidade de Chimoio, mereceu o repúdio unânime dos deputados, embora as leituras sobre as motivações e o clima político no país tenham dividido as bancadas parlamentares.

Numa reportagem da MBC, a bancada da FRELIMO foi célere em distanciar-se de qualquer envolvimento no crime. Em declarações oficiais, o partido no poder condenou o que chamou de ato macabro e hediondo, sublinhando que Moçambique é um Estado de Direito onde a vida humana deve ser preservada acima de tudo. O porta-voz da bancada defendeu que diferenças de qualquer natureza, sejam elas políticas, ideológicas ou sociais, não podem ser resolvidas com recurso à violência, apelando às autoridades para que esclareçam o caso com a máxima urgência.

Por outro lado, as bancadas do PODEMOS e do MDM reagiram com indignação, contextualizando a morte de Anselmo Vicente num cenário de alegada intolerância política. Para estes partidos, o crime não representa um caso isolado, mas sim parte de uma prática que consideram recorrente de perseguição a quem apresenta um pensamento divergente.

O PODEMOS lamentou a perda de um quadro activo e exigiu que as instituições de justiça não deixem este crime cair no esquecimento. Já o MDM apontou que o silenciamento de vozes críticas constitui um atentado directo à jovem democracia moçambicana e à liberdade de expressão, reforçando a necessidade de proteção aos actores políticos.

Enquanto o debate político sobe de tom na capital, em Chimoio o clima permanece de consternação e luto. Anselmo Vicente era visto como uma figura emergente na mobilização política local através da ANAMOLA. Até ao momento, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) não apresentou detidos, mantendo-se a forte pressão pública sobre as autoridades para que os autores materiais e morais deste homicídio sejam levados à barra do tribunal.

Imagem: DR

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