O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou esta terça-feira (12), em Kampala, que Moçambique pretende reforçar as relações históricas de amizade e cooperação com o Uganda, sublinhando que a experiência ugandesa no combate ao terrorismo poderá contribuir para os esforços moçambicanos de estabilização da província de Cabo Delgado.
As declarações foram feitas durante a conferência de imprensa de balanço da participação do Chefe do Estado moçambicano na cerimónia de investidura do Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, reeleito nas eleições de 15 de Janeiro de 2026.
Segundo o estadista, a deslocação a Kampala teve como principal objectivo reafirmar os laços históricos existentes entre Moçambique e Uganda, construídos desde os tempos das lutas de libertação africanas.
“A nossa relação com o Uganda é histórica. Como ouviram no discurso do Presidente Yoweri Museveni, os primeiros 80 combatentes da luta de libertação de Uganda foram treinados em Moçambique, incluindo o Presidente Yoweri Museveni”, declarou Chapo.
O Presidente da República destacou ainda que o estadista ugandês possui um profundo conhecimento da província de Cabo Delgado, particularmente do distrito de Montepuez, onde recebeu formação militar durante a luta de libertação ugandesa.
“Ele conhece profundamente Montepuez, o centro onde treinou, e também conhece profundamente a província de Cabo Delgado. Até hoje tem muitas palavras em português, consegue conversar em português, dada a vida e o tempo que levou em Moçambique com os nossos combatentes da luta de libertação nacional, portanto, da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)”, afirmou.
Citado numa publicação do jornal Domingo, o governante moçambicano considerou que este legado histórico justificou plenamente a presença moçambicana na cerimónia de tomada de posse em Kampala, depois das eleições presidenciais ugandesas. “Dada essa relação histórica, achamos que era extremamente importante marcar a nossa presença na tomada de posse, depois das eleições”, disse.
O Chefe do Estado referiu-se ainda ao facto de, durante o discurso de investidura, Yoweri Museveni ter sublinhado a relevância das relações entre Uganda, Tanzânia e Moçambique, evocando o papel histórico desempenhado pelos países da região nos movimentos de libertação africanos.
“Fez referência que o Uganda praticamente nasceu na Tanzânia e, como vocês sabem muito bem, o berço da liberdade de Moçambique é a Tanzânia. A Frente de Libertação de Moçambique foi constituída a 25 de Junho de 1962 em Tanganica, na altura, hoje República Unida da Tanzânia, daí a presença da Presidente Samia [Suluhu Hassan] nesta cerimónia e também a presença do Chefe do Estado moçambicano”, declarou.
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