O Banco de Moçambique reafirmou a sua posição de que não pretende voltar a financiar directamente a importação de combustíveis no país. A decisão, reiterada pelo Governador Rogério Zandamela durante a última conferência de imprensa do Comité de Política Monetária (CPMO), põe fim às especulações sobre um possível retrocesso na estratégia do banco central face à pressão no mercado de combustíveis.
Desde que abandonou o papel de financiador directo da factura petrolífera, o banco central tem defendido que esta responsabilidade deve recair sobre o mercado e a banca comercial. O Governador foi taxativo ao afirmar que a instituição não tem qualquer intenção de retomar este mecanismo, sublinhando que a actual política visa garantir a estabilidade macroeconómica e a gestão rigorosa das reservas internacionais.
Embora o Banco de Moçambique tenha “fechado a porta” ao financiamento directo, a instituição clarificou a distinção entre as suas obrigações e as decisões do Executivo. Na sua qualidade de agente fiscal do Estado, o banco central assegura que o Estado moçambicano, enquanto cliente, mantém o acesso normal às divisas necessárias para as suas operações.
Contudo, o destino dado a esses recursos é uma questão de gestão interna do Governo. “O Estado tem acesso a divisas, mas a sua alocação é uma decisão autónoma do Governo”, explicou a liderança do banco. Isto significa que cabe ao Executivo decidir se prioriza o sector dos combustíveis ou outras áreas estratégicas na distribuição das divisas que adquire junto ao banco central.
Esta clarificação surge num momento em que o sector das gasolineiras enfrenta desafios de liquidez e dificuldades na obtenção de garantias bancárias. Ao manter-se firme na sua decisão, o Banco de Moçambique empurra os operadores privados para uma gestão mais rigorosa e para a busca de soluções dentro do sistema bancário comercial, sem contar com a intervenção directa da autoridade monetária.
A postura do banco central é vista por analistas como um passo necessário para a liberalização e maturidade do mercado financeiro moçambicano, apesar de gerar debates acesos sobre o impacto imediato no custo de vida e na estabilidade do fornecimento de bens essenciais.
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