Dinis Tivane debate primeira convenção da ANAMOLA e parcerias de Moçambique com FMI e Banco Mundial

O partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) dará início, entre 20 a 22 de junho do ano em curso, na província de Nampula, à sua aguardada primeira convenção nacional. O evento magno, que funciona como o congresso geral da organização política, marca o encerramento de um ciclo de interinidade e visa consolidar a estabilidade jurídica e política da agremiação.

Em entrevista exclusiva ao programa Estado da Nação da MBC, o porta-voz da formação política, Dinis Tivane detalhou os contornos da organização interna e os posicionamentos da liderança face aos principais desafios económicos, sociais e de segurança que Moçambique enfrenta actualmente.

De acordo com Dinis Tivane, a ANAMOLA tem implementado um modelo organizacional diferenciado em relação aos partidos tradicionais do xadrez político moçambicano. Desde novembro de 2025, a força política realizou conferências distritais e provinciais para submeter os seus líderes locais a escrutínio directo.

“Esta é uma das maiores novidades. Se olhar na AMMOLA, não é muito comum vermos nas outras organizações políticas as lideranças de nível distrital e provincial a irem a um escrutínio, portanto, é mais por confiança política. E nós abrimos uma forma diferente, é a abordagem que nós queremos ter, decidimos lançar mãos a uma perspectiva nova, que é democratizar todos os níveis”, sublinhou o porta-voz.

Na convenção nacional, o partido pretende chancelar em definitivo os seus estatutos e as suas mais de 16 normas internas de funcionamento. No topo da agenda está também a votação para a liderança nacional. Tivane confirmou que a candidatura do engenheiro Venâncio Mondlane surge como a única e consensual no seio da organização e dos seus apoiantes, posicionando-o como o “timoneiro” para as próximas frentes eleitorais de 2028 e 2029.

Um dos temas mais debatidos durante a grande entrevista foi a saúde financeira da ANAMOLA. O porta-voz assumiu abertamente que a vertente orçamental constitui o maior obstáculo ao crescimento imediato do partido, apontando para um défice no pagamento de quotas por parte dos membros e apoiantes.

Diferente das forças políticas que já possuem assento na Assembleia da República, a ANAMOLA não beneficia de subvenções estatais, o que obriga a liderança a procurar soluções autónomas de financiamento. Para contornar as severas restrições orçamentais sem comprometer a participação das bases, a comissão organizadora desenhou uma convenção em formato híbrido. Enquanto o núcleo central se reúne presencialmente em Nampula, as delegações provinciais acompanham, votam e celebram o evento de forma remota e interativa a partir de vários pontos do país.

Questionado sobre a actual conjuntura nacional, Dinis Tivane abordou dossiês sensíveis que tocam directamente a soberania e o bolso dos moçambicanos:

Custos Militares em Cabo Delgado: A ANAMOLA defende total transparência do Governo no que toca aos custos financeiros assumidos pelo Estado moçambicano para assegurar a permanência das forças militares e policiais do Ruanda no combate ao terrorismo no norte do país, exigindo a devida prestação de contas aos cidadãos.

Independência Judicial: Refletindo sobre as conclusões do 1º Congresso da Justiça, o porta-voz criticou a excessiva partidarização e centralização do sistema judicial moçambicano, defendendo reformas urgentes que blindem os magistrados contra ingerências políticas.

Parcerias Internacionais (FMI e Banco Mundial): No plano económico, o partido defende que a assistência técnica e os empréstimos destas instituições financeiras globais devem ser condicionados a um combate severo à corrupção interna e ao rigor orçamental, sem que isso signifique hipotecar a soberania nacional ou sufocar a economia real das famílias.

No encerramento da sua intervenção, o porta-voz manifestou a profunda preocupação da ANAMOLA face à onda recorrente de ataques xenófobos dirigidos a cidadãos moçambicanos na República da África do Sul (RSA), cobrando uma postura diplomática mais firme por parte do executivo de Maputo.

A nível interno, Tivane deplorou os episódios de violência, perseguição e assassinatos que têm visado membros de partidos da oposição, reiterando que a ANAMOLA manterá a sua rota de expansão focada na via democrática e na mobilização cívica dos moçambicanos.

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