Dívida externa: Moçambique prepara-se para pagar mais de 50 mil milhões de meticais até ao final do ano

Moçambique enfrenta um desafio financeiro significativo em 2026. Segundo dados oficiais, o país prevê desembolsar cerca de 50,3 mil milhões de meticais para o serviço da dívida externa até ao encerramento do presente exercício económico. Este montante representa um aumento acentuado de 43 por cento em relação ao que foi pago no ano anterior, num cenário marcado por elevados encargos futuros e pela persistência de dívidas em atraso.

O cenário financeiro detalhado no Relatório Anual da Dívida Pública indica que o esforço de pagamento será mais intenso em meses específicos. De acordo com o jornal Notícias, a pressão sobre o erário público deverá concentrar-se, sobretudo, em março e setembro, períodos que, por si sós, absorvem mais de metade do serviço da dívida projectado para o ano inteiro. Só nestes dois meses, o país deverá desembolsar cerca de 14 mil milhões de meticais.

Para além do desafio imediato, as projecções apontam para um agravamento da pressão sobre as finanças públicas num horizonte de médio prazo. Entre 2028 e 2029, o serviço da dívida externa poderá escalar para valores próximos dos 60,1 mil milhões de meticais. Esta tendência é impulsionada, em grande medida, pelo início do pagamento de capital referente aos “eurobonds” MOZAM 2032, um instrumento financeiro que, por si só, exigirá um esforço de amortização superior a 56 mil milhões de meticais.

O Estado moçambicano tem lidado com constrangimentos fiscais que dificultam a gestão destes compromissos. Actualmente, o país mantém pendentes pagamentos de dívidas com diversos parceiros internacionais, incluindo a China, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID) e Portugal.

O Governo moçambicano tem reiterado a sua intenção de manter o diálogo com os credores que não concederam alívio no âmbito do Clube de Paris, procurando identificar mecanismos adequados para a regularização destes compromissos financeiros e garantir a sustentabilidade das contas públicas.

Deixe um comentário