Em dez anos de Huawei ICT Competition, Moçambique nunca tinha chegado tão longe. Este ano chegou, e fê-lo a subir ao pódio. A equipa moçambicana da track de Cloud, formada por Neyla Mussá, Walter Salgado e Nerio Jamisse, regressou de Shenzhen, na China, com o 3.º lugar na final global da edição 2025-2026, e três medalhas que pesam mais do que o metal.
Segundo uma publicação do portal Kabum digital, a caminhada começou em Outubro de 2025 e durou oito meses. No fim, a equipa esteve sentada numa sala com outros finalistas, durante nove horas, a fazer um único exame que reuniu tudo o que tinha aprendido pelo caminho.
A Huawei ICT Competition é um dos maiores concursos de competências em tecnologia do mundo. A edição 2025-2026 juntou mais de 220 mil participantes em vários países, e o caminho até à final tem três filtros: a fase preliminar, em Novembro; a fase nacional, em Dezembro, de onde saíram duas equipas moçambicanas (uma para a track de Cloud e outra para a de Network); e a fase regional, em Março de 2026. Só a equipa de Cloud chegou à fase global.
Pelo meio, os três estudantes foram passando pelos três níveis de certificação da Huawei: o HCIA, de nível Associate; o HCIP, de nível Professional; e o HCIE, de nível Expert. As áreas estudadas foram Cloud Services Solutions Architecture, desenvolvimento de Inteligência Artificial e cloud computing. A equipa contou com a mentoria de Mwanahamisi (Misi) M., que acompanhou o processo desde a fase preliminar.
A final global decorreu a 2 de Junho de 2026 em Shenzhen, na sede da Huawei. Foram nove horas de prova, num formato que a equipa descreveu como um exame final que continha um pouco de tudo o que tinham aprendido ao longo da jornada. Seguiram-se três dias de espera, com a sensação de dever cumprido a fazer companhia à ansiedade. Os resultados saíram a 5 de Junho, na cerimónia oficial de premiação.
O 3.º lugar foi melhor do que o que esperavam à partida. “Sentimo-nos orgulhosos de partilhar o palco e o pódio com as equipas vencedoras da track de Cloud”, disse a equipa. Os esforços, sublinharam, “redobraram-se” depois de saberem que iam à final, e o entendimento entre os três no terreno acabou por se traduzir em pontos.
Os estudantes vêm de três instituições de ensino superior moçambicanas, todas baseadas em Maputo. Neyla Mussá estuda na Escola Superior de Ciências Náuticas (ESCN). Walter Salgado está no Instituto Superior de Transportes e Comunicação (ISUTC). E Nerio Jamisse frequenta a Universidade Pedagógica de Maputo (UP). É a primeira vez que três instituições nacionais aparecem juntas no pódio de uma competição tecnológica deste nível.
O resultado é simbólico para o ecossistema tecnológico nacional. A Huawei ICT Competition existe há uma década e, em todas as edições anteriores, Moçambique tinha ficado pelas fases regionais. Chegar à fase global era o primeiro grande objectivo, e o pódio era um cenário difícil de prever à partida.
O caminho não foi só dos três estudantes: a Huawei Moçambique investiu no programa local e a mentoria interna acompanhou o grupo até ao último minuto. “Voltámos para casa com três medalhas que carregam o peso do conhecimento que nos fez chegar tão longe”, resumiu a equipa.
(Foto DR)