O movimento anti-imigração sul-africano “March and March” (marcha e marcha) apelou a todos os estrangeiros indocumentados para abandonarem o país até esta terça-feira (30). O movimento responsabiliza os migrantes provenientes de outros países africanos pelo desemprego, pela criminalidade e pela sobrecarga dos serviços públicos.
A tensão aumenta no país e nas fronteiras e milhares de imigrantes já saíram do país. A polícia sul-africana mobilizou as forças policiais a tomar precauções para as greves e protestos previstos para hoje. Foram contratadas empresas de segurança privadas.
As marchas convocadas para esta terça-feira, em várias províncias da África do Sul, contra a imigração ilegal decorreram, em grande parte, de forma pacífica, sem registo de incidentes graves, saques ou actos de vandalismo, segundo informações avançadas pelo portal sul-africano News24.
No Cabo Oriental, o comissário provincial da Polícia, tenente-general Vuyisile Ncata, afirmou que não foram reportados incidentes relacionados com danos materiais ou saques durante a manhã. Segundo o responsável, as forças policiais encontravam-se totalmente preparadas para monitorizar os protestos em toda a província.
Na Cidade do Cabo, as autoridades municipais indicaram igualmente que a situação permanecia calma. A Polícia Metropolitana acompanhava apenas pequenas concentrações de manifestantes em Bloekombos e na Grand Parade, além de uma tentativa isolada de saque numa loja em Gugulethu.
Em Mitchells Plain, uma das áreas apontadas como potencial foco de tensão, o ambiente manteve-se tranquilo, embora vários estabelecimentos pertencentes a estrangeiros tenham permanecido encerrados por precaução. A polícia reforçou a sua presença e efectuou patrulhas regulares na região.
Em Daveyton, no município de Ekurhuleni, um grupo de manifestantes concentrou-se diante de uma residência onde alegadamente se encontrava escondido o proprietário de uma mercearia. Os participantes tentaram abrir a porta da garagem, mas não conseguiram aceder ao imóvel.
Entretanto, em Soweto, os organizadores da marcha realizada no Parque Thokoza apelaram aos partidos políticos para que não distribuíssem camisetas nem material de propaganda durante a manifestação.
Enquanto decorriam os protestos, dezenas de cidadãos estrangeiros procuravam assistência junto dos seus consulados. Em Bedfordview, diante do Consulado do Zimbabué, homens, mulheres e crianças passaram a noite ao relento à espera de transporte para regressarem ao seu país.
Equipas do Exército da Salvação prestaram assistência humanitária aos migrantes, distribuindo alimentos e apoio básico. Um assistente social da organização relatou as condições difíceis enfrentadas por várias famílias, sobretudo crianças que passaram a noite nas ruas em pleno Inverno.
De acordo com informações recolhidas pela News24, vários autocarros partiram do local transportando cidadãos zimbabueanos em direcção à fronteira de Beitbridge.
(Foto DR)