INATRO tem mais de 65 mil cartas de condução prontas a acumular poeira nas delegações

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) tem um total de 65.671 cartas de condução biométricas prontas para entrega em todo o país, mas os cidadãos continuam sem levantar os documentos. O Relatório de Movimentação de Cartas, referente ao período de 5 a 25 de Maio de 2026, revela um cenário alarmante: a taxa média de levantamento de cartas situa-se nuns tímidos 11% a 24%, dependendo da província.

A Delegação da Cidade de Maputo lidera a lista de “esquecidos”, com um “stock” impressionante de 22.025 cartas disponíveis, tendo entregue apenas 2.860 documentos nas últimas três semanas. Logo a seguir surge a Delegação Provincial de Maputo, que acomoda 13.799 cartas por levantar.

Curiosamente, a província do Niassa é a que regista a maior taxa de eficiência na entrega (24%), conseguindo despachar 340 cartas, restando 1.087 nos seus balcões. No extremo oposto está a província de Nampula que, com uma taxa de apenas 9%, entregou 674 cartas, deixando 6.433 bilhetes à espera dos proprietários — isto num período em que a delegação registou zero novos cadastros.

Nas restantes províncias de Moçambique, a situação desenha-se da seguinte forma:
Na província de Tete existem 4.907 cartas disponíveis, tendo sido entregues 983 no último período. Em Gaza, os arquivos contam com 4.679 cartas disponíveis para 693 entregues. Já em Sofala estão guardados 3.720 documentos, após a entrega de 719 cartões aos utentes.

A província de Manica acumula 2.729 cartas disponíveis e registou 470 entregas. Na Zambézia estão disponíveis 2.471 cartas, com apenas 396 entregues. Em Inhambane o relatório aponta para 2.329 documentos em “stock” e 646 entregues, enquanto Cabo Delgado fecha a lista com 1.492 cartas disponíveis para os proprietários e 358 entregues.

Estes dados oficiais parecem dar força aos recentes pronunciamentos da liderança do INATRO, que tem vindo a público defender que o problema actual já não reside na capacidade de produção ou na morosidade do sistema informático, mas sim no “esquecimento” ou falta de comparência dos próprios utentes, que continuam a circular pelas estradas moçambicanas recorrendo a licenças provisórias sucessivamente renovadas.

Imagem: DR

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