O activista social e director executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, defende a necessidade de reconstruir a relação de confiança entre a juventude e a Polícia da República de Moçambique (PRM), para evitar a repetição dos episódios de violência que marcaram as manifestações de 2024.
Falando na Cimeira Nacional da Juventude sobre Justiça, Reconciliação e Reforma Democrática, Nuvunga afirmou que o país deve criar mecanismos permanentes de diálogo entre os jovens e as forças da ordem, de modo a ultrapassar o actual clima de desconfiança existente em vários sectores da sociedade.
“Precisamos promover esse diálogo para construir confiança”, disse citado numa publicação da AIM.
Segundo a fonte, os contactos mantidos pelo CDD com jovens de diversos bairros mostram que muitos continuam a associar a presença policial aos confrontos registados durante o período pós-eleitoral de 2024, situação que compromete a participação cívica e o relacionamento entre os cidadãos e as instituições do Estado.
“Os jovens não podem pensar que, quando vêem a polícia, é sinal de gás lacrimogêneo, é sinal de chamboco. A polícia tem de ser aquela que facilite a vida na comunidade juvenil”, disse durante a sua intervenção.
Nuvunga explicou que a aproximação entre a juventude e a polícia deve integrar as chamadas garantias de não repetição, um dos pilares da justiça de transição defendidos durante o encontro.
Para o activista, a reconciliação nacional não passa apenas pelo reconhecimento das vítimas e pela responsabilização dos envolvidos, mas também pela adopção de medidas que impeçam a repetição da violência que provocou mortes, ferimentos e traumas.
Segundo explicou, várias famílias e sobreviventes manifestaram o desejo de ver reconhecido o sofrimento vivido durante o período de contestação eleitoral.
“Os jovens estão a dizer que aqueles que tombaram sejam reconhecidos, que aqueles que foram feridos sejam reconhecidos e que a memória desses jovens seja preservada”, cita a publicação.
O director executivo do CDD defendeu ainda o reforço do apoio psicossocial e dos serviços de saúde mental para os jovens afectados, alertando para o aumento de situações de trauma e outras consequências psicológicas associadas à violência.