A circulação de camiões-cisterna que transportam combustível ao longo da Estrada Nacional número 6 (EN6) foi ontem paralisada, por alguns instantes, na zona de Cherimera — o limite entre a cidade de Chimoio e o distrito de Vanduzi, na província de Manica. Na origem do bloqueio esteve uma forte agitação protagonizada por um grupo de jovens, na sua maioria moto-taxistas locais.
Segundo avança o jornal Domingo, a revolta começou num posto de abastecimento onde os automobilistas e moto-taxistas se encontravam concentrados. Perante a fustigante escassez do “líquido precioso” nas bombas e as severas dificuldades para abastecer as suas fardas de trabalho, os manifestantes decidiram, de forma intempestiva, cortar a via e impedir a passagem das cisternas carregadas que rumavam em direcção aos países do hinterland.
O sentimento de indignação era generalizado entre os manifestantes. O grupo contestava abertamente o facto de as bombas de combustível de Manica continuarem “secas”, enquanto o produto transita livremente e em grandes quantidades pela EN6 com destino a países vizinhos como o Zimbabwe, Malawi e a Zâmbia. Os operadores de moto-táxi queixavam-se de que não fazia qualquer sentido ver o combustível a sair do solo moçambicano para abastecer outras nações da região enquanto eles ficavam de braços cruzados, sem conseguir trabalhar por falta de gota nas bombas locais.
Para conter os ânimos e evitar o pior, a Polícia da República de Moçambique (PRM) foi prontamente mobilizada para o local. De acordo com os dados apurados, as autoridades policiais optaram por um trabalho minucioso de sensibilização e diálogo com os manifestantes. A estratégia surtiu efeito, culminando com a dispersão pacífica do grupo e a consequente reabertura do tráfego na EN6, sem que fosse necessário o recurso à força coerciva.
A província de Manica vive dias de sufoco devido à crise no abastecimento de combustível, um cenário que está a comprometer severamente o curso normal do dia-a-dia da população e a dinâmica económica da região.
No sector da saúde, a falta de combustível já está a condicionar gravemente a transferência de pacientes em estado crítico para as unidades sanitárias de referência. Ao mesmo tempo, o desespero generalizado está a alimentar o mercado negro, propiciando a venda de combustível clandestino e, muitas vezes, adulterado a preços bastante especulativos nas artérias da região. Além disso, os pequenos negócios e o sector dos transportes enfrentam enormes prejuízos, paralisando a economia local.
A situação gerou um clima de total desespero no seio da população, que se vê privada de realizar as suas actividades quotidianas básicas, aguardando agora por uma intervenção urgente das autoridades competentes para a normalização do fornecimento de combustível na província.
Imagem: DR