O reitor da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM), Jorge Ferrão, defendeu a construção de uma nova agenda estratégica para a cooperação académica entre o Brasil e os países africanos, centrada na produção de conhecimento, inovação e fortalecimento institucional das universidades.
A posição foi apresentada, na última quarta-feira, em Brasília, na República Federal do Brasil, durante a sua intervenção no Painel 4 do I Fórum de Reitores Brasil – África, subordinado ao tema “Propostas e Encaminhamentos para as Relações Académicas entre o Brasil e os Países Africanos”, que decorre em Brasília.
Citado numa publicação da AIM, Ferrão sublinhou que a cooperação académica deve ultrapassar a lógica tradicional centrada apenas na assinatura de acordos e na mobilidade individual de estudantes e docentes, passando a privilegiar a construção conjunta de capacidades científicas, tecnológicas e pedagógicas entre instituições dos dois lados.
“O desafio é transformar a cooperação académica numa agenda estratégica, capaz de produzir impacto real nas universidades e nas sociedades”, afirmou.
O académico destacou que a relação entre o Brasil e África deve assentar numa lógica de responsabilidade partilhada na produção de soluções para os desafios contemporâneos, reforçando a necessidade de maior articulação institucional e científica.
Na sua intervenção, defendeu igualmente uma mobilidade académica de mão dupla, envolvendo estudantes, docentes e investigadores.
“A mobilidade deve ser entendida como circulação de conhecimento e não apenas deslocação física de pessoas”, referiu.
Apontou ainda sectores prioritários para a cooperação, com destaque para agricultura, segurança alimentar, energias renováveis, inteligência artificial, mineração e ciências sociais, defendendo que estas áreas devem estar diretamente ligadas às necessidades de desenvolvimento dos países africanos.
Ao abordar a Inteligência Artificial na educação, alertou para as desigualdades existentes no acesso e uso das tecnologias em Moçambique, defendendo o reforço da capacitação docente e o investimento em infra-estruturas digitais.
“O professor não será substituído pela tecnologia, mas precisa de estar preparado para a utilizar de forma crítica e pedagógica”, disse.
Alertou ainda para o risco de África continuar a ocupar uma posição periférica na economia global, dependente da exportação de matérias-primas, defendendo que a exploração de recursos naturais deve estar associada à transferência de tecnologia e à industrialização.
O I Fórum de Reitores Brasil – África reúne dirigentes universitários, académicos e representantes de instituições de ensino superior de vários países, com o objetivo de reforçar a cooperação académica entre os dois espaços.
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