O Secretário de Estado no Niassa sustenta que a essência do partido no poder é nobre, atribui desvios éticos a condutas individuais de certos quadros e apela ao resgate dos valores fundacionais.
O Secretário de Estado na Província do Niassa, Silva Livone, defendeu publicamente a necessidade de “purificar as fileiras” no seio do partido Frelimo. Falando esta quarta-feira, 22 de Julho, durante a sua participação no Podcast de Fanequisso, sob o tema “Niassa ontem e hoje: perspectiva para o futuro”, o governante sustentou que os actos de corrupção e desvios de conduta associados à organização resultam da actuação individual de quadros infiltrados e não da matriz doutrinária do partido.
Durante a entrevista, Silva Livone reconheceu a percepção pública negativa que recai sobre a formação política no poder, sublinhando a importância de separar a instituição Frelimo do comportamento dos seus membros.
”Tem uma coisa que as pessoas pensam: que a Frelimo é um partido de pessoas insensíveis, que a Frelimo é um partido de pessoas corruptas. De facto, na Frelimo e em qualquer outro partido existem essas pessoas, mas a essência da Frelimo é de um excelente e extraordinário partido político”, declarou.
Na sua intervenção, o dirigente político destacou que a estrutura interna enfrenta sérios desafios provocados pelo desvio das normas estatutárias por parte de militantes movidos por agendas pessoais. Segundo Livone, a imagem da Frelimo tem sido severamente manchada por cidadãos que aderem ao partido com ambições pecuniárias em detrimento do serviço público.
”A Frelimo que nós conhecemos por dentro não é esta Frelimo que é vista de fora, com o comportamento de alguns camaradas que vão manchando a nossa imagem. É como uma casa: há aqueles que se desviam da norma”, explicou o Secretário de Estado.
”Há muita infiltração no seio do nosso partido, pessoas que entram para a Frelimo com interesses obscuros, de enriquecimento ilícito, de defender interesses pessoais. Estes acabam manchando uma grande organização que lutou pela independência, cuja essência é defender o povo e cumprir os estatutos e a Constituição da República”, concluiu.