UEFA diz “basta” e convoca reunião para discutir o uso do VAR

A UEFA convocou representantes dos principais campeonatos europeus (Premier League, La Liga, Serie A, Ligue 1 e Bundesliga) para uma reunião, com o objectivo expresso de discutir a utilização do VAR, de acordo com informações adiantadas, esta quinta-feira (19), pela estação televisiva britânica BBC Sport.

O encontro terá lugar no próximo verão, depois do Campeonato do Mundo (que irá decorrer nos Estados Unidos da América, no Canadá e no México, entre 11 de Junho e 19 de Julho), e tem como objectivo definir ao certo as ocasiões nas quais os árbitros devem (e não devem) recorrer a esta tecnologia, de maneira a garantir que esta não é utilizada para decidir lances que se prendem por pormenores.

Segundo o Notícias ao Minuto, uma tomada de posição que surge, sensivelmente, depois de Roberto Rosetti, director de arbitragem do organismo que rege o futebol do Velho Continente, ter alertado, no Congresso Anual, realizado em Bruxelas, para a importância de regressar às origens, limitando o uso do vídeo árbitro a casos em que existe um erro claro e óbvio do juiz principal.

“Eu acredito que nos esquecemos a razão pela qual o VAR foi introduzido. Em decisões objectivas, é fantástico. Para interpretações, a avaliação subjetiva é mais difícil. Foi por isso que começámos a falar de erros claros e óbvios, em que há provas claras”, afirmou, insurgindo-se contra as “intervenções microscópicas do VAR”.

O objectivo passa, agora, por garantir que os árbitros falam “apenas uma linguagem técnica”, e diminuir significativamente as discrepâncias que se têm vindo a detectar, nos mais variados campeonatos nacionais. Na presente temporada de 2025/26, por exemplo, a Premier League detém o registo mínimo de intervenções do VAR, com uma média de apenas 0,275 por jogo.

Esse número sobe para 0,38, na Bundesliga, para 0,44, na Serie A, e para 0,47, na Ligue 1. Já na Liga dos Campeões, a média é de 0,45 ações por partida, isto é, quase o dobro daquela que se verifica no principal escalão do futebol inglês, até ao momento, algo que a UEFA considera necessário mitigar, o mais rapidamente possível.

A intenção da UEFA surge, ainda assim, em contraponto com a do IFAB, que, no final de Fevereiro, que, no seu 140.º encontro anual, que decorreu na cidade de Hensol, situada no País de Gales, decidiu que os poderes do VAR serão reforçados, já a partir do Mundial – 2026, numa série de situações que não estavam previstas no protocolo.

Este poderá passar a intervir em “cartões vermelhos que surjam de um segundo cartão amarelo incorretamente mostrado” e em casos de “identidade confundida, quando o árbitro penaliza a equipa errada por uma ofensa resultante de um cartão vermelho ou amarelo mostrado ao jogador errado”.

Além disso, em forma de comunicado, foi tornado público que “as competições podem permitir que os VAR façam revisão a um pontapé de canto incorrectamente assinalado, desde que a revisão possa ser feita imediatamente e sem demora à retoma” dos jogos.

 

(Foto DR)

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