UIR leva dirigente do ANAMOLA e instala clima de caos em Nametil

A vila de Nametil, no distrito de Mogovolas, província de Nampula, vive momentos de grande instabilidade na sequência da actuação da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), que, desde a madrugada, tem efectuado disparos e lançado gás lacrimogéneo, provocando pânico e a paralisação quase total das actividades.

Por volta da meia-noite, agentes da UIR terão invadido a residência do Coordenador Distrital do partido ANAMOLA em Mogovolas, levando-o à força para destino desconhecido. A operação, descrita por moradores como violenta, terá incluído disparos e a alegada colocação de objectos de natureza explosiva no local, agravando o sentimento de insegurança na vila.

Segundo o jornalista Nádio Taimo, a acção policial surge na sequência de um ambiente de forte tensão política e social no distrito. O dirigente do ANAMOLA havia sido recentemente sancionado pelo Tribunal Distrital de Mogovolas ao pagamento de três salários mínimos, após uma denúncia pública sobre a detenção considerada ilegal de dois jovens, mantidos presos durante mais de dois meses sem processo judicial.

A decisão judicial gerou forte contestação popular, sobretudo entre jovens, que se mobilizaram em defesa do dirigente do ANAMOLA e dos dois detidos. A pressão popular levou o tribunal a ordenar a libertação dos jovens e a anulação da sanção aplicada ao coordenador distrital, decisões que acabaram por ser cumpridas.

Horas depois, a entrada de um contingente reforçado da UIR em Nametil marcou o início de confrontos e de um cenário descrito como caótico pela população, com relatos contínuos de tiros e gás lacrimogéneo desde as primeiras horas do dia.

Até ao momento, não há informações oficiais sobre o paradeiro do dirigente do ANAMOLA nem sobre eventuais vítimas, enquanto a vila permanece sob um clima de forte tensão e incerteza.

Imagem: DR

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