Moçambique poderá atingir a autossuficiência na produção do arroz nos próximos três a quatro anos, caso consiga aumentar a produção nacional em cerca de 50 mil toneladas por ano.
Dados do banco central indicam que Moçambique importou cerca de 441 milhões de dólares em arroz em 2024, um valor recorde, e aproximadamente 38,8% superior ao de 2023 que se fixou-se em 317 milhões de dólares.
A informação foi partilhada ontem pelo Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, em entrevista concedida à margem da monitoria aos estabelecimentos comerciais realizada no âmbito da quadra festiva, na província de Maputo, segundo escreve a AIM.
O governante adiantou que Moçambique reúne já condições técnicas, agroclimáticas e humanas para reduzir de forma significativa a dependência das importações de arroz, actualmente estimadas em cerca de 600 mil toneladas por ano.
“Se nós conseguirmos aumentar a nossa produção de arroz em cerca de 50 mil toneladas por ano, nós conseguimos daqui a três, quatro anos ser suficientes em arroz”, afirmou António Grispos.
De acordo com a fonte, actualmente a prodição nacional oscila entre 100 a 150 mil toneladas anuais, face a um consumo global que ronda acima de 600 mil toneladas.
“Se nós fizermos isso, em quatro anos nós temos 200 mil toneladas de arroz. Com aquilo que é a produção de 100 mil toneladas actual, nós já estamos quase autossuficientes. Já há investidores que garantem atingirem esses níveis”, disse.
Entre os projectos estratégicos em curso, destacou o Centro Agro-Industrial de Chókwè (CAIC), que poderá alcançar uma produção de cerca de 100 mil toneladas de arroz ou mais, bem como investimentos de empresas do Vietname e da China, com destaque para a Baixa do Limpompo em Xai-Xai, na província de Gaza e no distrito de Nicoadala, provincia da Zambézia, e a zona Centro do País.
“Temos capacidades agroclimatéricas para isto, temos terras aráveis, temos mão-de-obra suficiente. O que é preciso é um projecto consistente e organizado”, realçou.
O governante abordou igualmente o desafio da produtividade agrícola, sobretudo no milho, cultura base da dieta nacional, porém, reconhecendo que os níveis de rendimento por hectare ainda são bastante reduzidos com indicador médio a volta de 0,8 toneladas por hectare.