A província de Cabo Delgado enfrenta uma nova e perigosa vaga de desinformação. O Primeiro-Secretário do partido Frelimo na região, José Elias Kalime, alertou recentemente que os rumores sobre o suposto encolhimento de órgãos genitais e a alegada toxicidade de redes mosquiteiras podem ser, na verdade, uma estratégia deliberada dos grupos terroristas para desestabilizar o norte de Moçambique.
Para o dirigente político, estes boatos não são meros casos isolados de superstição, mas sim uma campanha orquestrada para semear a desordem pública e incitar a violência popular contra alvos específicos. Segundo Kalime, o objectivo dos insurgentes seria paralisar os projectos de desenvolvimento e criar um clima de desconfiança entre as comunidades e as autoridades.
O Primeiro-Secretário destacou que as autoridades de saúde não registaram nenhuma entrada em unidades hospitalares de vítimas com evidências médicas reais destes factos.
Outro ponto crítico da campanha de desinformação envolve a distribuição de redes mosquiteiras. Segundo a Miramar, Kalime rejeitou categoricamente as alegações de que o material provoque doenças ou óbitos, recordando que esta é uma ferramenta de saúde pública usada há décadas em todo o território nacional. Estas redes são essenciais na luta contra a malária, protegendo sobretudo os grupos mais vulneráveis: crianças e mulheres grávidas.
As consequências destes boatos já chegaram às instâncias judiciais. No Tribunal Judicial da Província de Cabo Delgado, arrancou na passada quinta-feira o julgamento de vários indivíduos acusados de crimes graves. Os réus são suspeitos de torturar cidadãos inocentes sob o pretexto de estarem a provocar o fenómeno do “encolhimento de órgãos”.
As autoridades apelam à calma e à vigilância, reforçando que a população deve basear-se em factos e orientações das instituições oficiais, evitando cair em armadilhas que apenas servem aos interesses dos que atacam a província.
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