Gasolina destinada ao mercado nacional terá sido desviada ilegalmente para a África do Sul

O sector de combustíveis em Moçambique está sob brasas. Uma forte suspeita de reexportação “ilegal” de cerca de 5,3 milhões de litros de gasolina com destino à província de Gauteng, na vizinha África do Sul, está a agitar os bastidores da logística nacional. O caso surge num momento crítico, coincidindo com as recentes disrupções no abastecimento que afectam várias bombas em território nacional.

A orientação para o suposto desvio do combustível — originalmente importado para servir o mercado da zona sul de Moçambique — terá ocorrido durante a fase de descarregamento de um carregamento maior, de 20 milhões de litros, nos Terminais Oceânicos do Porto da Matola. Em vez de reforçar as reservas nacionais, uma parcela significativa terá sido redireccionada para o mercado sul-africano.

Sobre este cenário de incerteza, o experiente jornalista da TVM, Brito Simango, avançou que as fontes da indústria de logística de combustíveis mantêm-se em silêncio absoluto, fechadas a “sete chaves”, sem explicar a actual crise de disponibilidade que o país atravessa.

O Governo de Moçambique tem sido vocal ao desencorajar a reexportação de produtos petrolíferos que são importados com o selo de exclusividade para o consumo interno. A prática, a confirmar-se, é vista como uma autêntica sabotagem à economia nacional, especialmente quando o país tenta estabilizar os preços e o stock.

Actualmente, enquanto o Porto da Matola é o centro das atenções pelas suspeitas, os Terminais Oceânicos na Beira têm operado com uma média de 70% do volume de combustíveis importados pela IMOPETRO. Esta disparidade e o desvio na Matola podem ser as peças que faltavam para entender a falta de produto nas gasolineiras.

Até ao momento, não houve qualquer pronunciamento oficial das entidades que gerem os terminais ou da reguladora do sector para esclarecer se esta “fuga” de combustível é a causa directa da escassez nas bombas.

A situação continua a ser acompanhada de perto, aguardando-se que as autoridades de fiscalização e as Alfândegas de Moçambique tragam luz sobre o rastreio destas quantidades monumentais de gasolina que deveriam abastecer os tanques nacionais.

Deixe um comentário