O Governo da República Democrática do Congo (RDC) denunciou que mais de 1.500 civis foram mortos no leste do país desde o início de dezembro, acusando formalmente o Ruanda de envolvimento directo nas mortes no contexto da ofensiva do grupo rebelde M23, apoiado por Kigali.
Numa declaração oficial divulgada esta quinta‑feira, as autoridades congolesas referem que o número de vítimas civis foi confirmado por organizações da sociedade civil, fontes humanitárias e serviços estatais, e atribuem grande parte das operações a forças apoiadas pelo Governo Ruandês.
O comunicado do Executivo de Kinshasa descreve as acções militares ocorridas ao longo do eixo Kamanyola‑Uvira, na província do Sud‑Kivu, como uma “agressão flagrante contra a soberania nacional”, envolvendo o uso de bombas e drones kamikaze.
A intensificação dos combates começou no início de dezembro, poucos dias depois de um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos ter sido assinado entre os governos congolês e ruandês. Apesar do pacto, a milícia M23 conquistou a cidade estratégica de Uvira a 10 de dezembro, forçando dezenas de milhares de civis a fugir para o Burundi.
O Governo da RDC também acusou Kigali de ter enviado três novos batalhões para o Sud‑Kivu, com o objectivo declarado de avançar em direcção à província mineira do Tanganyika, amplamente considerada como uma das regiões mais ricas em minerais do país.
Segundo estimativas das Nações Unidas, a escalada do conflito já terá deslocado centenas de milhares de pessoas, agravando uma já grave crise humanitária no leste congolesa.
Até ao momento, o Governo de Ruanda nega as alegações de envolvimento directo nas mortes de civis ou de conduzir operações militares no território congolês, rejeitando as acusações como infundadas e pedindo investigações independentes.
O conflito no leste da RDC, que tem décadas de história, intensificou‑se desde a reactivação do M23 em 2021, com frequentes violações de cessar‑fogo e repetidas acusações mútuas entre Kinshasa e Kigali.
Imagem: DR