Professores rejeitam ser bode expiatório da crise no ensino

A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) reagiu com firmeza às declarações do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que atribuem aos docentes a responsabilidade pelas reprovações em massa na 9.ª classe, classificando essa posição como “inaceitável” e distante da realidade do sistema de ensino moçambicano.

Segundo o porta-voz da ANAPRO, falamdo a STV, não é correcto culpar os professores por um problema que resulta, sobretudo, de falhas estruturais sob responsabilidade do próprio Ministério.

“Não foi o professor que criou turmas com mais de 100 alunos, não é o professor que decidiu que devia dar aulas debaixo de sombras e não foi o professor que criou condições para que os alunos estudassem sem livros”, afirmou, defendendo que a responsabilidade pelas reprovações deve ser assumida pelo MEC.

Para a associação, culpar os docentes representa uma tentativa de fugir à realidade e de ocultar os verdadeiros problemas do sector. “Essas culpas são do próprio Ministério da Educação. Culpabilizar o professor pelas reprovações é fugir da realidade e tentar esconder a verdade. É necessário olhar para esses problemas e resolvê-los, não culpar o professor”, sublinhou o porta-voz.

A ANAPRO criticou ainda a decisão do Governo de substituir o ensino nocturno presencial pelo ensino à distância, considerando a medida um novo factor de agravamento da crise no ensino.

“Se um aluno no ensino presencial já tem dificuldades, imaginemos no ensino à distância. A situação vai piorar”, alertou, acrescentando que o país lida ainda com elevados níveis de analfabetismo.

Na óptica da associação, o ensino à distância, nas actuais condições, transforma-se numa mera distribuição de certificados sem correspondência real com o nível de conhecimentos dos formandos. “A pessoa não vale aquilo que o certificado diz. O ensino à distância não é nada, é apenas uma distribuição de certificados. O aluno matricula-se, fica em casa à espera do exame e o Ministério sabe muito bem disso”, criticou.

A ANAPRO conclui afirmando não acreditar que o ensino à distância seja a solução para os problemas do sector, defendendo antes investimentos sérios em infra-estruturas, materiais didácticos e condições de trabalho para os professores, como caminho para melhorar a qualidade do ensino e reduzir as reprovações.

Imagem: DR

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