Investigação da Kóxukhuru desmente PRM e revela massacre de civis

Segundo Gamitos dos Santos, os incidentes ocorreram a 29 de Dezembro de 2025, no regulado de Marreca, Posto Administrativo de Naholoco, e teriam resultado na morte de mais de 30 pessoas, incluindo homens, mulheres e crianças, bem como comerciantes locais.

A PRM alega que seis indivíduos, supostamente ligados aos Naparamas e ao partido ANAMOLA, foram mortos por envolvimento em actos de desordem pública, mas a investigação independente conduzida pela Kóxukhuru contesta esta narrativa.

De acordo com o activista, os confrontos estão directamente ligados a interesses económicos na exploração de pedras preciosas, envolvendo compradores protegidos por figuras políticas influentes. Os garimpeiros locais, obrigados a vender minérios a preços baixos, terão tentado negociar com outros compradores, provocando represálias que degeneraram em violência policial.

“O que se passou não foi desordem pública, mas uma acção punitiva e desproporcional contra civis indefesos”, afirmou Gamitos dos Santos. Segundo testemunhos recolhidos no terreno, a Polícia terá disparado sobre jovens garimpeiros, desencadeando revolta popular. A intervenção da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) agravou a situação, com disparos indiscriminados contra a população civil.

Relatos obtidos pela Kóxukhuru indicam perseguições nas matas, agentes posicionados em árvores a disparar, corpos encontrados dias depois em zonas agrícolas, feridos por armas de fogo, tortura, espancamentos e pilhagem de bens, incluindo o incêndio de mais de 20 motorizadas.

O activista exige uma investigação séria e independente, responsabilização criminal do comandante que ordenou a operação, indemnização às famílias das vítimas — sobretudo àquelas que perderam menores — e assistência médica imediata aos feridos. Gamitos dos Santos mostrou-se disponível para colaborar com as autoridades, desde que o processo seja conduzido com transparência.

O episódio reacende o debate nacional sobre o uso excessivo da força policial em Moçambique e a persistente impunidade em casos de graves violações dos Direitos Humanos. A Kóxukhuru anunciou ainda que irá divulgar imagens e dados recolhidos no terreno nas próximas horas.

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