O Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, na província de Gaza, parece estar a testemunhar os seus “dias contados” de glória desde a sua inauguração em 29 de Novembro de 2021, isto porque deixou os fantasmas em terra e passou a transportar passageiros reais.
Volvidos quase cinco anos, é a primeira vez que se houve dizer que a infra-estrutura tem alguma serventia real, mormente, pela afluência de passageiros. Entretanto, a verdade é que não foi um trabalho de propaganda que atraiu clientes para o Aeroporto, foi a força da natureza.
As chuvas que inauguraram a segunda época chuvosa (Janeiro a Março) deixaram distritos inteiros debaixo das águas, principalmente nas províncias de Gaza e Maputo. Há um rasto de destruição em terra ainda por contabilizar. Mas, enquanto a chuva caía, as águas procuravam seu espaço a todo custo, e até rasgaram estradas. As pessoas não podiam – e ainda não podem – ir nem vir via terrestre. Alternativa? A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) reduziu os preços de viagens entre Xai-xai e Maputo, e aumentou a frequência de voos.
Uma investigação do Centro de Integridade Pública (CIP) publicada em Junho de 2024 revelou, entre outros, que o Aeroporto era “é” um “Elefante Branco” do ponto de vista comercial, que a demanda de voos não justificava uma infra-estrutura daquelas dimensões, e que era uma necessidade antiga para atender emergências em época chuvosa.
O trabalho constatou que os voos para Chongoene eram irregulares e às vezes se voava para transportar um único passageiro. Leia mais…
“Nós colocámos cinco voos diários, com preços bonificados, próprios de emergências, para fazer a ponte aérea entre Maputo e Xai-xai. Como sabem, este Aeroporto, praticamente, não tinha nenhum voo diário” disse na manhã de hoje, o Presidente da República, Daniel Chapo, após aterrar naquele Aeroporto, na cidade de Xai-xai, para dirigir a II Sessão Ordinária do Conselho de Ministros.
A infra-estrutura passou de um Aeroporto fantasmagórico para um local onde inúmeras pessoas são obrigadas a pernoitar numa fila para seguir viagem.
Segundo Chapo, a disponibilização de voos acima da média do Aeroporto reflecte, por outro lado, a importância de uma linha aérea própria do país, “a nossa companhia de bandeira”.
“Seria praticamente impossível fazer uma ponte aérea a preços que estamos a fazer, de emergência, se não tivéssemos a nossa linha aérea. Com o sector privado ou com aviões alugados seria, praticamente, impossível” disse, vincando se tratar de um trabalho para consolidar a Linhas Aéreas de Moçambique.
A redução dos preços de passagens de voos – actualmente quatro mil meticais – está vigente e dependete da restituição da circulação rodoviária para ligar as províncias de Maputo e Gaza, que estão separada devido aos cortes de troços da EN1, entre 3 de Fevereiro e Incoluane, em consequência das chuvas. “Foram seis cortes” revelou Chapo, e adiantou que a transitabilidade pode estar restituída nos próximos de 15 dias.
“Também estamos a fazer a ligação marítima, a partir da Doca de Chongoene, para o transporte de alimento, principalmente, para a nossa população, mas também para o transporte de pessoas, portante, pessoas e bens” referiu, em entrevista à Televisão de Moçambique.
Chapo adiantou que hoje vai iniciar a ligação mista entre as províncias, primeiro por via ferroviária e a seguir rodoviária, para o acesso a Maputo.
E se a LAM mantiver os preços bonificados de viagens para aquele Aeroporto, pode o elefante mudar de cor?