Estados Unidos admitem falhas e procuram novo curso para o Sahel

A administração americana enviou um alto funcionário a Bamako para sinalizar um novo capítulo nas relações com o Mali, Burquina Faso e Níger. A missão de Nick Checker foca-se no “respeito pela soberania” e na cooperação económica, tentando reverter o afastamento estratégico da região.

Numa mudança de tom significativa, os Estados Unidos da América deram início a uma ofensiva diplomática para tentar recuperar terreno na região do Sahel, agora liderada pela Aliança dos Estados do Sahel (AES). Nick Checker, alto funcionário do Gabinete de Assuntos Africanos do Departamento de Estado, viajou para Bamako com o objetivo explícito de redefinir os termos da parceria bilateral.

Segundo o comunicado oficial do Departamento de Estado, a visita de Checker visa transmitir o “respeito dos Estados Unidos pela soberania do Mali”. Este posicionamento marca uma rutura com a postura anterior, mais crítica das juntas militares que tomaram o poder na região. O objetivo agora é “traçar um novo rumo na relação bilateral” e ultrapassar o que Washington classifica como “erros políticos passados”.

A deslocação não se limita apenas ao Mali. O enviado americano pretende consultar outros governos da região, incluindo o Burquina Faso e o Níger, focando-se em “interesses económicos e de segurança partilhados”.

Esta movimentação ocorre num momento crítico, após o Mali, o Burquina Faso e o Níger terem consolidado a sua própria aliança (AES) e reforçado laços militares com a Rússia, após a expulsão de tropas francesas e americanas. Washington parece agora adotar uma postura mais pragmática, tentando evitar o isolamento total do Ocidente num território vital para o combate ao terrorismo e para o controlo de recursos minerais.

Apesar do tom conciliador, os obstáculos permanecem. A expulsão definitiva das tropas americanas do Níger em 2024 e a crescente dependência destes países da assistência de segurança russa criaram um novo paradigma geopolítico. O sucesso desta missão dependerá da capacidade de Washington em oferecer contrapartidas económicas tangíveis que compitam com a oferta de Moscovo, sem alienar as suas próprias leis de assistência externa relacionadas com governos de transição militar.

Imagem: DR

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