Trump ameaça cortar comércio com Espanha

Donald Trump ameaçou, na terça-feira, 3 de Março, “cortar todo o comércio com Espanha”, após este recusar o acesso dos Estados Unidos às bases militares na Andaluzia na guerra contra o Irão.

O Presidente norte-americano já tinha, dias antes, criticado o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por demorar “muito tempo” a autorizar a utilização da base de Diego Garcia, no oceano Índico.

Depois das críticas ao Reino Unido, o Presidente dos Estados Unidos atacou agora a Espanha. No final de um encontro com o chanceler alemão, Friedrich Merz, na Casa Branca, Donald Trump declarou que não quer ouvir falar de Espanha e que vai interromper todo o comércio com o país.

Trump acusou as autoridades espanholas de serem “terríveis”, criticando a administração socialista de Pedro Sánchez por negar o acesso de aviões norte-americanos a bases militares no Sul do país, no âmbito da ofensiva militar contra o Irão.

Trump lembrou ainda que a Espanha é o único país da NATO que não aceitou alocar 5% do seu PIB às despesas militares, conforme a nova meta da Aliança, promovida por Washington.

Em comunicado, o Governo espanhol respondeu às declarações do presidente norte-americano, afirmando que Espanha é “um parceiro comercial fiável para 195 países em todo o mundo”, incluindo os Estados Unidos.

O executivo espanhol esclareceu que, se os Estados Unidos desejarem rever as relações comerciais, devem fazê-lo respeitando a autonomia das empresas privadas, o direito internacional e os acordos bilaterais entre a União Europeia e os Estados Unidos.

Ainda no comunicado, as autoridades espanholas acrescentaram que “o nosso país dispõe dos recursos necessários para conter quaisquer potenciais impactos, apoiar os sectores que possam ser afectados e diversificar as cadeias de abastecimento”.

Antes dos comentários de Donald Trump sobre o seu país, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, declarou que “não tinha falado com nenhum representante norte-americano” nem “recebido qualquer queixa” relativamente às bases militares de Rota e Morón.

Sublinhou que estas bases, utilizadas “em conjunto com os Estados Unidos”, estavam “sob soberania espanhola”. (RFI)

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