Resano Garcia: Moçambique e África do Sul avançam para digitalização total da fronteira

A eficiência regressou à principal ligação entre Moçambique e a África do Sul. O que antes era um cenário de desespero para os transportadores, com filas que chegavam a atingir 20 quilómetros na Estrada Nacional Número 4 (N4), transformou-se agora num corredor fluido e dinâmico.

O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, reuniu-se com a sua homóloga sul-africana, Barbara Creecy, para consolidar os avanços da Fronteira de Paragem Única. O balanço é amplamente positivo: o tempo de espera para camiões, que chegava a durar três dias, foi drasticamente reduzido para escassos minutos.

Desde a última inspeção realizada em dezembro de 2025, os progressos na gestão do tráfego são notórios. O congestionamento crítico que asfixiava a N4 foi superado, permitindo que a logística regional ganhasse um novo fôlego. Atualmente, os camiões não levam mais de duas horas para serem atendidos e, durante a semana, a média de espera tem oscilado entre 20 a 30 minutos.

Esta melhoria na eficiência é vital para a economia nacional. Barbara Creecy recordou que o cenário anterior representava um enorme risco, especialmente para as viaturas que transportam produtos perigosos e mercadorias urgentes que precisam chegar ao Porto de Maputo para o carregamento nos navios. Hoje, a fronteira processa uma média impressionante de 17 mil camiões por dia.

A grande inovação reside na simplificação do processo administrativo. No modelo atual, o motorista pára apenas uma vez para apresentar o passaporte e os documentos aduaneiros. Caso a documentação esteja em ordem, a passagem para o segundo ponto é automática, eliminando a necessidade de paragens redundantes que atrasavam a viagem.

Embora o sistema atual seja funcional, as autoridades apontam para um futuro ainda mais moderno. O plano prevê a instalação de postos definitivos no quilómetro 7, do lado sul-africano, e no quilómetro 4, em solo moçambicano. Até o próximo ano, espera-se que o processo de imigração, alfândegas e carregamento esteja completamente digitalizado em ambos os lados da fronteira.

O Ministro João Matlombe reiterou que o Governo moçambicano está empenhado em consolidar estas medidas transitórias para acabar definitivamente com os constrangimentos na N4. Segundo o governante, a transformação do corredor logístico liderada pela África do Sul facilita a integração com os esforços nacionais, impulsionando o desenvolvimento das economias da região.

Na ocasião, Matlombe deixou um apelo às equipas de trabalho para que mantenham o foco nesta fase de transição. O objetivo é superar a pressão atual a curto prazo, garantindo que os projetos sejam implementados de acordo com as expectativas e que a solução definitiva traga prosperidade ao transporte de carga transfronteiriço.

Imagem: DR

Deixe um comentário