O cenário no Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO), na zona do Zimpeto, cidade de Maputo, continua a ser de autêntico desespero para centenas de moçambicanos.
Esta sexta-feira, o que se viu foi o retrato da precariedade: jovens e idosos submetidos a filas quilométricas sob um sol abrasador, tudo para tentar resgatar documentos que parecem ter caído no esquecimento institucional.
A situação mais gritante envolve a emissão das cartas de condução. Há cidadãos que carregam o talão de recibo no bolso há cerca de um ano e meio, sem nunca verem o documento definitivo. A falta de explicações claras por parte dos funcionários aumenta a frustração de quem precisa do documento para trabalhar ou circular legalmente.
De acordo com relatos colhidos pela TV Miramar, a morosidade é a marca registada do balcão, e a justificação de “problemas no sistema” já se tornou uma resposta padrão para quem procura atendimento.
O bloqueio na eficiência não se limitou à entrega de documentos. Quem se deslocou ao Zimpeto para realizar exames de condução também enfrentou horas de angústia. Candidatos foram obrigados a aguardar indefinidamente devido a alegadas instabilidades no sistema informático, resultando em prejuízos financeiros e laborais.
Muitos utentes manifestaram indignação por terem perdido o dia de trabalho sem sucesso.
Curiosamente, vários cidadãos notaram que o processo só ganhou uma ligeira aceleração após a chegada da equipa de reportagem ao local, o que levanta questões sobre a gestão do fluxo de atendimento.
Até ao momento, a direcção do INATRO não emitiu qualquer pronunciamento oficial para esclarecer as causas reais desta crise no atendimento ou apresentar uma solução definitiva para a entrega das cartas acumuladas.
Este episódio reforça a necessidade urgente de melhorias na prestação de serviços públicos em Moçambique, garantindo que o cidadão não seja penalizado por falhas administrativas e tecnológicas recorrentes..
Imagem: TV Miramar