O regulador financeiro identificou irregularidades graves em diversas instituições no segundo semestre de 2025, com o BCI e o BIM a liderarem o volume de queixas no país.
O Banco de Moçambique (BM) determinou a devolução de 16 332 230,73 MT a clientes do sistema financeiro nacional, valor resultante de cobranças indevidas efectuadas por diversas instituições durante o segundo semestre de 2025. A medida surge após a análise de 483 reclamações que expõem falhas na prestação de serviços e no cumprimento de contratos.
De acordo com o relatório de estatísticas, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) registou o maior volume absoluto de queixas entre os grandes bancos, com 168 reclamações, o que representa 34,8% do total. Segue-se o Banco Internacional de Moçambique (BIM) com 84 queixas, correspondendo a 17,4% das participações.
No entanto, quando analisado o índice de reclamações — que traduz o número de queixas por cada 100 000 clientes — o Atlântico Microbanco destaca-se com o rácio mais elevado de todo o sistema, atingindo os 263,2.
Os dados revelam que o crédito continua a ser a principal matéria de discórdia em Moçambique, representando 37,5% das reclamações. Entre as irregularidades mais frequentes neste sector encontram-se divergências na execução de contratos, alterações indevidas na maturidade e a cobrança de prestações após a liquidação do empréstimo.
Os problemas com as caixas automáticas (ATM) também afectaram gravemente os cidadãos, sendo a terceira maior causa de reclamações, com 21% do peso total. O cenário mais reportado foi o de dinheiro não disponibilizado no ATM, apesar de o valor ter sido debitado na conta do cliente.
Para além de obrigar à devolução dos montantes, o Banco de Moçambique adoptou medidas sancionatórias e preventivas. O regulador realizou oito acções de inspecção on-site e promoveu reuniões com os conselhos de administração das instituições financeiras para discutir acções correctivas.
O índice geral de reclamações do sistema fixou-se em 1,5 por cada 100 000 clientes, reflectindo a monitoria contínua do BM para assegurar a estabilidade e solidez do sistema financeiro inclusivo.
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