F. Nyusi usurpou mina da família Guebuza em Manica

Florindo Nyusi, filho do antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, usurpou, supostamente, uma licença mineira da família Guebuza, recorrendo a ameaças, e influências marginais em figuras do Estado.

As informações publicadas pelo jornal Evidências, que descreve Florindo Nyusi por “Flow Boss”, indicam que, em 2020, a empresa da família Guebuza, a Focus 21 Explorator S.A, conseguiu, e perdeu a Licença de Prospecção e Pesquisa 10364L, no distrito de Manica, província do mesmo nome, para a empresa Flomining S. A, de Florindo Nyusi.

O semanário refere que Flow Boss usou de chantagens de prisão e lamúrias contra pessoas que estavam à frente do processo do licenciamento da mina para a empresa Focus 21.

Conforme descreve a fonte, que teve acesso a correspondências privadas e documentos institucionais, o pesadelo da Focus 21 iniciou, de facto, após deslocar maquinaria para o terreno, quando, imediatamente, Flow Boss contactou o engenheiro da empresa para saber quem liderava o projecto. “Eu vou mandar prender”! Com urgência solicitou os contactos: “vão chorar”!

 Através de uma chamada telefónica, o engenheiro da Focus 21 ficou a saber que a licença em causa seria cancelada. Para se inteirar das razões, contactou os Serviços Provinciais de Infraestruturas (SPI) e confrontou o Director, de quem obteve resposta “evasiva” que “denunciava pressão”. Recorreu à Secretaria de Estado provincial, então dirigida por Edson Macuácua. Este reconheceu a ilegalidade do cancelamento da licença e a sua intervenção suspendeu o cancelamento temporariamente.

Segundo o jornal, o motivo que o Instituto Nacional de Minas (INAMI) alegou para o cancelamento da licença foi o da proximidade fronteiriça com o Zimbabué – um argumento ignorado em vários casos similares. A Focus 21 requisitou o redireccionamento da área, mas de lá a esta parte não obteve respostas. Oficialmente, não foram encontras razões para cancelar a licença.

Estranhamente, tempo depois, o próprio Macuácua abraçou o argumento do INAMI. Numa “visita” efectuada à mina em que proibiu registos, informou que a partir daquela data, 9 de Setembro, a licença estava cancelada, e que o caso estava a inquietar a Primeira-Dama, Isaura Nyusi.

A 12 de Agosto, chega finalmente a notificação oficial de cancelamento, enviada pelo INAMI. O documento é entregue de forma insólita, via WhatsApp, pelo administrador de Manica, através do serviço de courier Skynet, escreve o jornal.

A 16 de Setembro Flow Boss lança uma “última cartada”: contacta o engenheiro  da Focus 21, procura saber se as máquinas estavam à venda, avisa que se não fossem vendidas seriam retiradas à força, pressiona para ter contacto dos proprietários da maquinaria e acaba com o contacto de Mussumbuluko Guebuza, filho de Armando Guebuza, o antecessor de Filipe Nyusi.  (Fonte: Semanário Evidências. ed. 226)

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